Paquistão volta a fazer ameaças com seu arsenal nuclear
Paris, 07 (AE-ANSA) - O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Sartaj Aziz, vinculou a retirada dos muhajedines - guerreiros sagrados infiltrados na Caxemira indiana - à obtenção de progressos reais para resolver a questão do território em disputa. Aziz voltou a advertir, em entrevista ao jornal francês Le Figaro, que seu país não descarta o uso de armas nucleares se tiver sua soberania ameaçada. "As armas nucleares servem para dissuadir e não foram feitas para serem usadas. É por isso que nosso país sempre exerceu um controle ao nível máximo no conflito com a Índia. Porém, se nossa soberania for ameaçada, então poderemos apertar o botão nuclear", afirmou o chanceler. Durante o ano passado, a Índia e o Paquistão fizeram demonstrações públicas de seu poderio nuclear. Os testes realizados por ambos os países despertaram preocupação na comunidade internacional. Para Aziz, a escalada do conflito na Caxemira cria a necessidade de se fazer um esforço para diminuir as tensões. "É hora de negociar", afirmou. No entanto, em Islamabad, uma organização que representa 14 grupos guerrilheiros islâmicos afirmou que os combatentes inflitrados na Caxemira vão "continuar lutando até a última gota de sangue". "Não respeitamos a declaração de Washington, que é uma conspiração do Ocidente contra a Caxemira", disse Syed Salauddin, presidente do Conselho Unido da Jihad, referindo-se ao compromisso assumido pelo primeiro-ministro paquistanês com o presidente dos Estados Unidos para retirada dos rebeldes da zona de combate. Ainda não está claro se o governo paquistanês irá cortar as rotas de suprimentos dos rebeldes se estes recusarem-se em deixar a Caxemira indiana. O governo do Paquistão diz que seu apoio é "diplomático e moral", contudo, os grupos rebeldes dizem abertamente que movimentam seus homens e armas até a fronteira disputada com a Índia pela Caxemira controlada por Islamabad. Os grupos dizem que fazem isso sem a ajuda do Paquistão, mas contam com a sua tácita aprovação. "Nenhum poder pode cortar nossas linhas de suprimento. Alá está conosco", disse Salauddin. No entanto, se o Paquistão tentar tal medida, os grupos guerrilheiros prometem traçar nova estratégia quando isso ocorrer. De acordo com outro líder rebelde, Hafiz Saeed, os combatentes podem permanecer em Kargil até o inverno sem qualquer ajuda do Paquistão. "Uma vez que começar a estação de inverno em setembro, as tropas da Índia não serão capazes de continuar com essa operação. Até lá, os muhajedines podem sustentar esta batalha sozinhos", disse Saeed. Em Nova Délhi, o primeiro-ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee, declarou que seu país não dará trégua aos rebeldes muçulmanos que se infiltraram em seu território na Caxemira. Vajpayee disse ainda que seu país tem intenções de dar uma oportunidade à negociação diplomática, apesar de afirmar que "não há espaço para uma mediação internacional". Com relação ao compromisso assumido pelo premier paquistanês para retirada das tropas, Vajpayee disse que Nova Délhi está no aguardo para ver os fatos concretos.





