Paquistão dispara mísseis contra caças indianos
Islamabad, 11 (AE-AP) - O Paquistão disparou hoje (11) mísseis antiaéreos contra caças indianos, mas desmentiu ter atirado contra helicópteros que estavam levando jornalistas ao local onde, na terça-feira, foi abatido um avião paquistanês com 16 pessoas a bordo.
Em Nova Délhi, o Ministério da Defesa acusou o Paquistão de disparar contra os dois helicópteros MI-17 e contra os caças que os estavam escoltando e de querer intensificar a crise.
O segundo incidente em dois dias entre os dois países rivais ocorreu poucas semanas após um conflito na disputada região da Caxemira que ameaçou levar a Índia e o Paquistão a um quarto conflito bélico. Os dois já travaram três guerras, duas pela Caxemira, desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947.
Em maio, rebeldes separatistas infiltraram-se no lado indiano da Caxemira, segundo Nova Délhi, apoiados por soldados paquistaneses. A Índia lançou uma dura ofensiva contra os guerrilheiros islâmicos que só terminou depois que o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, conseguiu convencer os separatistas a abandonar a Caxemira indiana.
A Índia reiterou hoje que o avião paquistanês, Berguet Atlantique, de origem francesa, foi derrubado na terça-feira depois de ter penetrado cerca de dez quilômetros no território indiano de Gujarat, mas admitiu que partes da fuselagem caíram sobre o lado paquistanês.
O Paquistão, por sua vez, desmente que a nave fosse um avião de reconhecimento em missão de espionagem sobre o território indiano, acrescentando que estava desarmado. "O avião voava a uma altitude de 2,3 mil a 3 mil metros, visível aos radares, incluindo os indianos, o que não teria ocorrido se ele estivesse em missão de espionagem", declarou o almirante paquistanês Aziz Mirza.
O ministro da Defesa indiana, George Fernandes, disse que o Atlantique poderia ter recebido a missão de explorar possíveis rotas de invasão. Ele acrescentou que os pilotos dos caças interceptadores temiam que o avião estivesse armado.
O Paquistão e a Índia retiraram partes do avião derrubado que aparentemente ficaram espalhadas nos dois lados da fronteira e cada governo acusou o outro de provocar a nova crise. No entanto
nenhum dos corpos das 16 pessoas que, segundo Islamabad, estavam a bordo do Atlantique, foi localizado.
O governo de Islamabad, o qual advertiu na terça-feira que se reservava o direito de levar adiante uma retaliação, informou hoje ter instalado mísseis terra-ar no lugar onde foi derrubado o avião de reconhecimento, cerca de 50 quilômetros a sudeste da localidade de Badin e a poucos quilômetros da fronteira com a Índia.
O chanceler paquistanês, Sartaj Aziz, anunciou hoje que Islamabad pôs suas Forças Armadas em alerta pouco depois de o Atlantique ter sido atingido.
Segundo um dos jornalistas da agência Associated Press que estavam a bordo de um dos helicópteros indianos atacados, um míssil foi disparado de um terreno desabitado e um rastro de fumaça saiu do lugar. O piloto do helicóptero deu uma volta rápida para a esquerda para evitar o foguete e logo desceu bruscamente para voar a baixa altitude sobre Cori Creek.
Os jornalistas, apesar de aferrados a seus assentos, tentaram ver o que estava acontecendo, mas foram impedidos pela névoa. Em seguida os helicópteros MI-17, que levavam os jornalistas para vistoriar o lugar onde o avião paquistanês tinha sido derrubado, voltaram a suas bases.
Os Estados Unidos exortaram a Índia e o Paquistão a respeitar o acordo de 1991 proibindo vôos militares perto da fronteira sem uma notificação ao outro lado. O porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, disse que os dois países violaram claramente o acordo nos últimos dias. A França e a Grã-Bretanha, por sua vez, pediram hoje um maior comedimento aos dois países rivais.





