Paquistão derruba avião indiano na Caxemira
Islamabad, 27 (AE-AP) - A perda de dois aviões de combate indianos durante o segundo dia de ataques aéreos contra os rebeldes muçulmanos na Caxemira aumentou a tensão entre Índia e Paquistão, que afirma ter derrubado as duas naves quando invadiram seu espaço aéreo.
As duas potências atômicas, que travaram três guerras em seus 52 anos de história, apresentaram versões distintas do incidente
o mais grave desde que a Índia iniciou na terça-feira um ataque contra cerca de 600 guerrilheiros separatistas que, segundo Nova Délhi, cruzaram nas duas últimas semanas a fronteira indiana com a ajuda do Exército paquistanês.
Fontes militares da Índia afirmaram que os dois aviões desapareceram em Jammu-Caxemira, a parte indiana do território, a cerca de quatro quilômetros da linha de controle que desde 1949 divide a Caxemira.
Segundo o governo indiano, o piloto de um MiG-21 informou que tinha um problema técnico e saltou de pára-quedas. O segundo jato, um MiG-27, foi atacado por posições paquistanesas com um míssil terra-ar quando voava a baixa altitude para tentar ajudar o piloto da outra nave.
Nova Délhi negou que seus aviões tivessem violado o espaço aéreo paquistanês durante os ataques aos rebeldes, que, segundo o Exército indiano, se entrincheiraram nas regiões de Drass, Kargil e Batalik.
Contudo, o Paquistão assegura que seu Exército derrubou os dois aviões-bombardeiros indianos quando estes sobrevoavam o território paquistanês da Caxemira. Anis Bajwa, comandante do Exército paquistanês, declarou que um dos pilotos morreu e seu corpo será devolvido à Índia e o outro foi capturado e será tratado como prisioneiro de guerra.
Segundo o comandante Bajwa, o Paquistão considera um ato de guerra a invasão de seu espaço aéreo, apesar de não ter divulgado uma declaração formal de hostilidades.
A Índia, por sua vez, qualificou de ato hostil o ataque paquistanês contra um de seus jatos e reiterou que prosseguirá com os bombardeios até expulsar do território indiano todos os rebeldes infiltrados - a quem qualificou de mercenários treinados pelo Paquistão. A Índia controla há 50 anos dois terços da Caxemira e o Paquistão, o restante.
Um oficial da Força Aérea indiana informou que helicópteros e aviões de guerra MiG-21, MiG-23, MiG-27 e Mirage-2000 realizaram novos ataques hoje contra as posições rebeldes. Tropas terrestres começaram a ocupar posições-chave e isolar os guerrilheiros em plena cordilheira himalaia, em regiões cuja altitude chega a 5 mil metros.
Segundo fontes militares, pelo menos 200 guerrilheiros foram mortos. As autoridades indianas também impuseram toque de recolher ao longo da fronteira com o Paquistão na região de Amritsar, no Estado de Punjab, norte do país.
Em Nova Délhi, era visível o clima de tensão entre a população. O primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, convocou uma reunião de emergência com os ministros da Defesa, George Fernandes, e do Interior, Lal Krishna Advani, e com os chefes militares das Forças Armadas. A rivalidade entre os dois países causou um alarme mundial no ano passado quando a Índia realizou cinco testes nucleares e o Paquistão respondeu com outros seis.
O governo do Paquistão pediu hoje a imediata intervenção das Nações Unidas no conflito, destacando que a derrubada dos dois aviões confirmava a agressão indiana ao território paquistanês. Apesar de o Paquistão ter exortado a Índia a retomar as conversações de paz, Islamabad pediu ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que envie um representante especial para a região.
Em Moscou, a Rússia exigiu nesta quinta-feira que Índia e Paquistão parem com os conflitos pela disputada região da Caxemira. O governo da China pediu que os dois países resolvam suas diferenças por meio de um acordo.





