Islamabad, 18 (AE-AP) - O Paquistão começou hoje (18) a retirar suas tropas da fronteira com a Índia, um dia depois que o general golpista Pervez Musharraf prometeu uma "desescalada militar unilateral" e o retorno à democracia, mas isso não impediu que a Comunidade Britânica (Commonwealth) suspendesse o país de suas reuniões por causa da derrubada, há uma semana, do governo democraticamente eleito de Nawaz Sharif.
Segundo um porta-voz do Exército, coronel Saulat Raza, reforços que haviam sido enviados à divisa internacional de 740 quilômetros de extensão durante os combates pela disputada Caxemira no primeiro semestre iniciaram o retorno logo de manhã. Ele disse que o número de soldados em retirada é sigiloso. Não estão sendo retirados, porém, os militares posicionados ao longo da Linha de Controle que divide a Caxemira.
A Índia reagiu friamente ao recuo do arquiinimigo nuclear, reiterando a acusação de que Islamabad arma e treina combatentes antiindianos que agem na Caxemira. "É imperativo que o Paquistão pare de patrocinar o terrorismo além das fronteiras em Jammu- Caxemira e em outras partes da Índia", exigiu um porta-voz da chancelaria indiana, Raminder Singh.
O governo americano saudou a retirada de tropas e a promessa de retorno à democracia feita por Musharraf, mas lamentou que o general não tenha fixado um prazo para isso. "Esperamos que cedo ou tarde - muito mais cedo do que tarde - seja cumprida a promessa de volta ao poder democrático", afirmou o secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, ao iniciar, pelo Bahrein, uma viagem de uma semana pelo Oriente Médio. O presidente americano, Bill Clinton, disse estar "decepcionado" por não haver um cronograma para a volta à democracia.
Em Londres, um comitê de chanceleres da Comunidade Britânica exigiu que o Paquistão prepare "sem demora" esse cronograma. "A Commonwealth considera inconstitucional o golpe de Estado militar e o qualifica de séria violação dos princípios políticos fundamentais da comunidade", assinalaram os chanceleres num comunicado. "O grupo decide suspender o regime militar paquistanês dos conselhos da Commonwealth até a restauração da democracia."
A organização de 54 países (principalmente ex-colônias britânicas) informou que a decisão final sobre se o Paquistão deve ser ou não expulso do grupo será tomada na reunião que os chefes de governo da comunidade farão em novembro em Durban, na áfrica do Sul.
Em Islamabad, Musharraf disse que será formado "em três ou quatro dias" um novo gabinete ainda esta semana. "Não quero precipitar a criação de um gabinete porque queremos os melhores para integrá-lo", afirmou. Ele está negociando a participação principalmente de tecnocratas e funcionários do país na ONU, principalmente para cuidar dos assuntos econômicos.

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