Paquistão admite ter invadido Caxemira indiana
Islamabad, 16 (AE-AP) - O governo paquistanês admitiu nesta sexta-feira (16), pela primeira vez, que seus soldados realmente atravessaram a linha de controle, que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão, durante os dois meses de combates entre soldados indianos e guerrilheiros separatistas, ao mesmo tempo em que Nova Délhi estendia por mais um dia o prazo para a retirada total dos rebeldes do território de Jammu-Caxemira.
Em uma entrevista à BBC, o chefe militar do Paquistão, o general Parvez Musharraf, disse que seus soldados cruzaram a linha de controle em "ocasionais e enérgicas patrulhas".
Musharraf, no entanto, não especificou quantos soldados paquistaneses estiveram engajados em combate direto com as tropas indianas.
Desde o início de sua ofensiva para expulsar os rebeldes que se infiltraram no território indiano através do Paquistão, Nova Délhi assegura que havia soldados regulares paquistaneses lutando nas cordilheiras do Himalaia junto aos mujahedins (guerreiros sagrados) e a milicianos afegãos. Contudo, Islamabad negou reiteradas vezes as acusações indianas.
Ao longo dos últimos dois meses, o governo indiano mostrou como prova de suas denúncias documentos de identidade e cartas pessoais que encontrou com os cadáveres dos invasores. A Índia assegura que enterrou pelo menos 197 corpos de invasores, entregou três cadáveres a Islamabad e há ainda dois em um necrotério em Nova Délhi, recusados pelo governo paquistanês.
Apesar de fontes militares indianas indicarem hoje que os guerrilheiros islâmicos haviam completado quase totalmente a retirada de suas posições nas regiões de Kargil, Drass e Batalik
Nova Délhi estendeu até amanhã - por mais um dia - o prazo para a desocupação de seu território a pedido do governo paquistanês.
Um oficial indiano disse que serão necessários dois ou três dias para verificar se os guerrilheiros separatistas realmente se retiraram. Hoje à noite, um soldado indiano foi morto na região de Batalik, a leste de Kargil, por disparos de franco-atiradores posicionados em território paquistanês. A Índia admitiu mais de 400 baixas e informou que 700 invasores foram mortos durante os dois meses de combates.
A artilharia indiana silenciou-se hoje pelo segundo dia consecutivo, mas vários aviões militares sobrevoaram o Himalaia para inspecionar a retirada dos rebeldes. Ao amanhecer, milhares de soldados indianos começaram a avançar até as colinas que haviam sido capturadas pelos rebeldes muçulmanos.
Segundo um acordo militar acertado domingo entre a Índia e o Paquistão, os soldados indianos avançarão até um quilômetro da linha de controle, acertada em 1972, e os guerrilheiros retrocederão pelo menos um quilômetro no território paquistanês, disse um oficial. Militares dos dois países rivais analisarão em breve novas medidas para evitar hostilidades.
Essa foi a pior crise entre a Índia e o Paquistão desde a guerra de 1971. Duas das três guerras travadas pela Índia e o Paquistão desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, foram pelo território da Caxemira.
A secretária norte-americana de Estado, Madeleine Albright, deverá encontrar-se com o ministro de Relações Exteriores da Índia, Jaswant Singh, em Cingapura no fim do mês para tentar encorajar a retomada de conversações entre Nova Délhi e Islamabad, informou hoje um funcionário da Casa Branca.
O presidente paquistanês, Nawaz Sharif, reuniu-se na semana retrasada em Washington com seu colega norte-americano, Bill Clinton, e acertou um acordo segundo o qual ele daria "passos concretos" para que a linha de controle fosse restabelecida. Após o encontro com Clinton, Sharif convenceu os rebeldes muçulmanos a aceitar a retirada.





