Paquistão acusa Índia de atacar escola
Nova Délhi, 01 (AE-AP) - O Paquistão acusou, nesta terça-feira (01), a Índia de ter matado pelo menos 10 estudantes ao bombardear uma escola secundária na localidade de Kiran, no Vale de Neelum, na parte paquistanesa da Caxemira.
O governo indiano, que há sete dias vem bombardeando guerrilheiros separatistas que se infiltraram em seu território através do Paquistão, prontamente rechaçou a acusação. "Só atacamos objetivos militares e nos limitamos a responder à ofensiva paquistanesa", disse um porta-voz do Exército indiano.
Segundo testemunhas, vários estudantes também ficaram feridos durante o ataque. Esse vale tem sido alvo frequente da artilharia indiana durante as trocas de disparos entre os dois lados da linha de controle, que divide a Caxemira entre a Índia e o Paquistão desde 1949.
O Exército paquistanês, por sua vez, anunciou ter infligido "perdas importantes" às forças indianas, ao rechaçar três ataques lançados contra seu lado da linha de controle do disputado território. A intensificação de operações militares obrigou pelo menos 50 mil pessoas a deixar suas casas na parte paquistanesa da fronteira.
A Índia, que denunciou hoje a invasão de seu espaço aéreo por dois aviões de reconhecimento paquistaneses, realizou novas missões, com aviões MiG-21, MiG-23 e MiG-27, contra os guerrilheiros separatistas a mais de 200 quilômetros da escola paquistanesa atacada. O bombardeio, realizado com artilharia pesada e morteiros, atingiu o povoado de Nagdar, perto da linha de controle, a menos de 100 quilômetros de Muzzafarabad, capital da Caxemira paquistanesa.
O Exército indiano anunciou uma nova tentativa de invasão de rebeldes muçulmanos e viu-se obrigado a reforçar a região de Kargil, onde agora dispõe de um contingente de 30 mil homens.
O ministro da Defesa indiano, George Fernandes, anunciou à imprensa que seu governo está disposto a oferecer uma saída segura para os rebeldes para tentar solucionar a crise que aumentou a tensão militar com o Paquistão.
Segundo Fernandes, a partida dos guerrilheiros separatistas do território indiano poderá ser negociada durante a visita que o chanceler paquistanês, Sartaj Aziz, realizará a Nova Délhi nos próximos dias. No entanto, o chanceler indiano, Jaswant Singh, disse que enquanto não houver um acordo as tropas indianas continuarão tentando expulsar os infiltrados.
Ainda hoje, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Paquistão desmentiu as declarações atribuídas ao secretário da chancelaria Shamshad Ahmad de que o país está disposto a usar "qualquer arma" de seus arsenais se os combates com a Índia pelo controle da Caxemira assim o exigirem. A Índia e o Paquistão, que realizaram testes nuclerares no ano passado, travaram três guerras - duas pela Caxemira - desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947.





