Paquistaneses aplaudem queda de avião indiano, temem guerra
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por AMIR ZIA 
Islamabad, 28 (AE-AP) - Canções de filmes indianos saíam hoje (28) de alto-falantes nos movimentados mercados da capital do Paquistão, enquanto as pessoas falavam das hostilidades ao longo de sua conturbada fronteira com Caxemira e da derrubada de jatos indianos pelo Exército paquistanês na véspera.
Embora muitos aplaudissem o êxito de seus militares, poucos disseram querer uma guerra total com seu incômodo vizinho, a Índia. "Eles pediram isto (a derrubada dos aviões) porque violaram nossa fronteira, mas espero que não estoure uma guerra em larga escala entre nós", disse Zakaullah Shah, proprietário de uma loja de vídeos que ganha a maior parte de seu dinheiro alugando filmes indianos, muito populares.
"Alugar filmes indianos é meu ganha-pão... mas ainda assim estou contente porque os indianos sofreram esta perda", disse Shah. Mas advertiu que a guerra "seria terrível, porque os dois países têm armas nucleares".
O Paquistão informou ter derrubado dois caças a jato indianos na quinta-feira depois que eles penetraram no espaço aéreo paquistanês. Um piloto indiano está em poder do Paquistão, o outro foi morto na queda de seu jato.
Hoje a Índia informou que o Paquistão derrubou um helicóptero de combate, acusação que os militares paquistaneses desmentiram.
"Até agora não temos informações de que disparamos num helicóptero indiano ou que tenhamos derrubado um helicóptero indiano", disse o porta-voz do Exército, brigadeiro Rashid Quereshi.
Embora algumas pessoas no Paquistão pedissem contenção, outras afirmaram que a Índia forçou o país vizinho a fazer testes nucleares e agora está ameaçando com uma guerra.
"A Índia tenta impor-nos a guerra, assim como nos forçou a fazer testes nucleares", disse Shah. "Parece que nossas opções estão se esgotando." Ele aconselhou prontas negociações entre os primeiros- ministros paquistanês e indiano.
Aysha Durrani pediu que os dois países voltem atrás no que ela chamou "loucura da guerra...os dois países têm bombas nucleares ... eles precisam pensar no povo e nas crianças."
Em Muzaffarabad, capital da Caxemira controlada pelo Paquistão - onde os habitantes da fronteira passam a noite em valas e casamatas - , existe o medo da guerra total. Um comerciante da capital, Ayub Khan, disse que as pessoas estão-se preparando para o pior. "Estamos preocupados ... mas se a guerra for a única solução, precisamos encará-la."
Em Lahore, capital da província de Punjab, no leste do Paquistão, a 40 quilômetros da fronteira com a Índia, as pessoas festejaram a derrubada dos aviões. "Foi um aviso aos indianos para que não ataquem o Paquistão", disse Tariq Ahmed, partidário da Liga Muçulmana, governista.
Mas a professora unversitária Nabila Akbar disse que o Paquistão não pode dar-se ao luxo de uma guerra. "Somos nações pobres em que a maioria de nossas crianças nem sequer tem água potável para beber", disse. "Uma guerra vai aumentar a pobreza e o sofrimento do povo. Intelectuais dos dois lados da fronteira deviam pressionar seus governos para que recomecem conversações e diminuam a tensão."
Em Karachi, maior cidade do Paquistão, o funcionário público aposentado Zhazanfar Siddiqui disse que a situação é grave. "Pode vir uma guerra nuclear desta vez... Rezo para que isto não aconteça."


