Papon desaparece antes do julgamento de seu recurso Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 19 (AE) - Até hoje (19) à noite, 24 horas antes do início do julgamento do recurso apresentado por seu advogado, Maurice Papon, ex-secretário-geral da Polícia da região da Gironde durante a 2ª Guerra e, posteriormente, ministro do Orçamento, estava desaparecido, não se constituindo prisioneiro como determina a lei.
Em abril de 1998, ele foi condenado a 10 anos de reclusão por "cumplicidade em crime contra a humanidade". Seu advogado Jean-Marc Varaut revelou hoje que é bem provável que Papon não se apresente.
Ele tem prazo até amanhã à noite para comparecer à Casa de Detenção de Gradignan ou à Penitenciária de la Santé, em Paris, pondo-se à disposição da Justiça, que deverá julgar o recurso da defesa. Papon - que tem 89 anos - deixou sua residência na semana passada e não mais voltou. Ninguém - mesmo seus advogados - diz saber de seu paradeiro.
Responsabilizado pela transferência de 1.600 judeus franceses para os campos de concentração da Alemanha, Papon sempre se mostrou autoritário e nunca reconheceu sua culpa. Se o recurso for rejeitado, ele deverá ser recolhido à Casa de Detenção de Gradignan, razão pela qual seus advogados já enviaram documentação médica à penitenciária. Os advogados afirmam contar com apoios importantes para solicitar o "perdão" do presidente - única autoridade que pode anistiá-lo.





