As salas de aula voltam a ser ocupadas pelos estudantes na rede municipal e particular de Londrina nesta segunda (4) e muitos pais deixaram para comprar o material no último dia. Isso só foi possível porque parte dos comerciantes decidiu abrir as portas no domingo (3) - das 9h às 17h - para atender ao público. Com as listas nas mãos, os pais passaram parte do fim de semana enchendo o carrinho com resmas de papéis, cadernos, fitas adesivas e lápis de cor. No centro da cidade, com ruas vazias e facilidade para estacionar, os consumidores aprovaram a novidade no comércio. "Não gosto de fazer compras em lojas cheias, sem ter como estacionar. Aprovei a ideia de comprar no domingo. Achei os preços bons, já havia pesquisado na internet, assim como reaproveito materiais que já temos em casa", explicou a projetista Míriam da Silva Rocha, 40, que estava acompanhada da filha Sara, 11.

No centro da cidade, com ruas vazias e facilidade para estacionar, os consumidores aprovaram as lojas abertas no domingo para comprar material escolar
No centro da cidade, com ruas vazias e facilidade para estacionar, os consumidores aprovaram as lojas abertas no domingo para comprar material escolar | Foto: Gustavo Carneiro



Para os empresários, a decisão não foi apenas motivo de comemoração. Alguns estabelecimentos foram surpreendidos por uma fiscalização da Secretaria Municipal de Fazenda, que autuou lojas por ferir o Código Municipal de Posturas. "Para nós, que trabalhamos com papelaria, esse período de vendas é o nosso Natal. Os clientes aprovaram fazer compras com a cidade mais tranquila, mas não entendi essa multa. Pago meus impostos, estamos cumprindo acordo trabalhista. É um absurdo a prefeitura tomar essa decisão", questionou Álvaro Loureiro Junior, 59 anos, comerciante na cidade há 33 anos e que emprega 110 funcionários em sete lojas. Em outra papelaria, na Avenida Rio de Janeiro, os clientes chegaram a reagir contra a ação dos fiscais e reclamaram da autuação. "As pessoas reclamaram e nos defenderam. Quando decidi abrir a loja, acreditei estar prestando um serviço à população e acabei recebendo a minha primeira autuação. Sei que pago meus impostos. Vou recorrer", afirmou Moacir da Silva Vilbert, 68 anos, que está no ponto comercial há 30 anos.

O comerciante Álvaro Loureiro Junior mostra a multa que recebeu: "É um absurdo a prefeitura tomar essa decisão"
O comerciante Álvaro Loureiro Junior mostra a multa que recebeu: "É um absurdo a prefeitura tomar essa decisão" | Foto: Gustavo Carneiro



Os comerciantes fizeram acordo com o Sindecolon (Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina) para a abertura dos estabelecimentos nos domingos (3) e (10) - já que as aulas na rede estadual de ensino começam na segunda (11). Nos termos assinados, os funcionários receberiam pelo dia trabalhado 100% de horas extras, R$ 25 como verba para alimentação e ainda teriam direito a uma folga. "Foi um acordo feito com alguns comerciantes somente. Consultamos os trabalhadores e eles nos autorizaram a assinar. Os termos foram feitos da mesma forma que fizemos com os lojistas no Natal", detalhou o presidente do Sindecolon, José Lima do Nascimento. Já o Sincoval (Sindicato do Comercio Varejista de Londrina) desconhece o acordo. O presidente da instituição, Ovhanes Gava, afirmou que o acordo com os trabalhadores não foi travado com o conhecimento do Sincoval. A prefeitura de Londrina informou que "pelo menos sete estabelecimentos foram autuados pelo descumprimento ao artigo 16 inciso da Lei Municipal 11468/2011". O texto determina que a abertura e o fechamento dos estabelecimentos de atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, localizados no município, devem se limitar aos horários determinados pela prefeitura.

mockup