Brasília, 20 (AE) - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse hoje que os procuradores do Ministério Público no Rio de Janeiro, na reunião secreta de ontem à noite na CPI dos Bancos, não entregaram os documentos apreendidos na casa do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira. Eles teriam apenas listado mais de 200 documentos que, na opinião do senador, foram apreendidos seguindo o rito legal, com assinatura do escrivão e do delegado da Polícia Federal. Simon disse que considera a declaração do relator da CPI, João Alberto Souza, sobre o risco de os documentos fazerem "ruir os pilares da nação", uma força de expressão. Pedro Simon ressalvou que, na documentação citada, não há nenhuma referência a outras autoridades do governo. Para o senador, as notícias causaram um grande impacto, mas Simon defende que é necessário cautela pois, como advogado, tem que reconhecer a possibilidade de haver uma grande montagem. Na opinião de Simon, os documentos deram um impulso novo à comissão, já na sua segunda reunião. "Na CPI do impeachment do Collor, levamos um mês e meio até aparecer a figura do motorista", comparou. Simon disse que sempre teve o maior respeito por Lopes e acrescentou que, pelo que sabe
Lopes foi o único presidente do BC em que o PT votou a favor. "Até o senador Lauro Campos votou a favor", destacou Simon, referindo-se a um dos mais duros críticos da política econômica do governo, no Senado.

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