Papa torna arcebispo de BH cardeal
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segunda-feira, 19 de janeiro de 1998
Assimina Vlahou Agência Estado Roma 
France PressO Papa, durante a cerimônia do Angelus, no Vaticano, quando anunciou os nomes dos novos cardeaisO brasileiro Serafim Fernandes de Araújo, arcebispo de Belo Horizonte, de 73 anos de idade, é um dos 22 futuros cardeais que serão criados no próximo concistório do dia 21 de fevereiro, o sétimo de João Paulo II em 20 anos de pontificado. O anúncio oficial foi feito ontem pelo Santo Padre, na Praça de São Pedro, durante o Angelus.
Além de dom Serafim, há outros três latino-americanos na lista dos novos cardeais. O colombiano Dario Castrillon Hoyos, de 76 anos de idade, presidente da congregação para o clero; o chileno Jorge Artur Medina Estevez, de 71, presidente da congregação para o culto divino e o mexicano Norberto Rivera Carrera, de 56, arcebispo da Cidade do México, a maior diocese católica do mundo.
Desse novo grupo, 11 são europeus, dos quais sete italianos, dois dos Estados Unidos, um canadense, um africano, um asiático e dois permanecem em segredo pois nomeados in pectore, por motivos de oportunidade politica. Segundo informações não oficiais, poderia tratar-se de prelados chineses clandestinos ou de homens da Curia como o ministro do interior, monsenhor Giovanni Battista Re, cujo trabalho é indispensável no setor em que atua.
Com o anúncio de ontem, o papa João Paulo II impõe uma grande novidade. Aumenta o número de eleitores do colégio cardinalício, estabelecido em 120 no máximo por Paulo VI. Dos 22 cardeais que tomarão posse em fevereiro, 19 têm menos de 80 anos de idade e isto eleva para 123 o número dos prelados que votam para o futuro papa e que, por sua vez, também são candidatos.
A quase totalidade do colégio cardinalício, que agora passa a ser formado por 168 cardeais, foi nomeada por João Paulo II que escolheu 106 dos 123 eleitores, o que torna mais provável um futuro papa conservador em questões de doutrina moral.
Com o próximo concistório é confirmada a estrutura internacional do colégio cardinalício e do futuro conclave. Mas se fosse necessário eleger um novo papa após o dia 21 de fevereiro, quando as nomeações serão válidas, os europeus terão a representação maior.
Os cardeais eleitores europeus são 56 - 46,3% do total. Entre eles sai reforçado o grupo italiano, com 22 representantes (17,8%). Os latino- americanos, 24 cardeais com menos de 80 anos da idade, vem logo em seguida com 19,5% do total de eleitores. Deles, 6 são brasileiros.


