Papa terá a segurança de 200 agentes
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sábado, 27 de setembro de 1997
Claudio Renato Agência Estado, Rio 
Arquivo FolhaProteção totalO esquema de segurança do papa João Paulo 2º é padronizado, aprovado pelo Vaticano, mas respeita as peculiaridades dos lugares que ele visitaHá um mês o coordenador nacional da visita do papa João Paulo 2º, embaixador Flávio Perri, temia que um louco chegasse perto do Santo Padre. Depois dos testes do esquema de segurança, Perri diz não temer nem isso. Depois do atentado que sofreu, o papa passou a ser assistido por um esquema de segurança padronizado, aprovado pelo Vaticano, mas que respeita as peculiaridades dos lugares que visita. Além disso, ele argumenta que os criminosos e contraventores brasileiros têm uma peculiaridade: são místicos.
Isso não significa que o esquema de segurança de João Paulo 2º será afrouxado. A segurança pessoal do papa terá 200 agentes federais muito bem preparados, além de oito guardas do Vaticano. Trinta homens ficarão num raio de dez metros de João Paulo II. Cerca de 26 mil homens da Secretaria de Segurança Pública e das Forças Armadas vão cuidar da segurança do papa, da comitiva (36 pessoas) e da multidão de fiéis - no domingo, dia 5, são esperadas 1,5 milhão de pessoas na missa campal do Aterro do Flamengo.
Para evitar um atentado terrorista e outros riscos a coordenação da visita estabeleceu pelo menos três roteiros alternativos de deslocamento do pontífice. O trajeto só será definido 15 minutos antes da saída, segundo Perri. Além disso, dez mil pessoas que chegarão perto do papa estão sendo investigados pela Polícia Federal e a Interpol. Até os religiosos, que participarão do Congresso Teológico Pastoral, no Riocentro, passarão por isso.
A Polícia Federal está distribuindo 30 mil credenciais para pessoas que poderão ficar entre 30 e 40 metros do pontífice. As credenciais serão diferentes para cada evento e, segundo Perri, infalsificáveis. Para evitar balas perdidas, o papa só trocará de carro em locais estudados.
Também está previsto um esquema de emergência para o caso de João Paulo 2º querer improvisar e visitar uma favela, por exemplo, como fez em 1980, quando esteve no Vidigal, em São Conrado. Nesse caso, a central de segurança, instalada no Comando Militar do Leste, será informada e acionará um helicóptero com policiais federais, que farão uma varredura no local a ser visitado.
No rastreamento serão usados modernos equipamentos antiminas, aparelhos de raios X portáteis e detectores de explosivos. Se o papa decidir convocar alguém para se aproximar dele, esta pessoa será submetida a uma revista magnética de três minutos com detectores de metal. Os deslocamentos de João Paulo 2º serão acompanhados por postos de observação, com agentes federais e militares das Forças Armadas munidos de celulares. O roteiro será acompanhado pelo estado-maior do CML a partir de um moderno sistema de transmissão de rádio, TV, telefones e câmeras.
Quinze instrutores da Academia de Polícia Federal, de Brasília, treinaram os agentes federais para operações anti-sequestro, defesa pessoal, tiros de longa distância, direção defensiva e ofensiva, posicionamento, postura e atendimento. Haverá uma operação de varredura nos aeroportos e portos para evitar o ingresso de terroristas no País antes e durante a visita do papa.
A Comissão Nacional da Visita do Papa é formada pelos ministérios da Marinha, da Aeronáutica, do Exército, das Relações Exteriores, pela Embratel, e os órgãos de apoio do gabinete da Presidência da República. Aprovado em 28 de julho, o Plano de Segurança do Papa, elaborado em quatro meses, prevê o controle da operação toda por um estado-maior, com sede no Comando Militar do Leste. A Polícia manterá ocupados pontos estratégicos nos morros do Turano e do Borel, na Tijuca, e dos Prazeres, em Santa Teresa.
As áreas estratégicas, entre elas os acessos a Santa Teresa, o caminho do Alto da Boa Vista (próximo do Sumaré, onde fica a residência do cardeal-arcebispo do Rio dom Eugenio Sales, anfitrião do papa), o Aeroporto Internacional e o Riocentro serão vistoriados e vigiados pela Polícia Federal e os órgãos da Secretaria de Segurança. Sete helicópteros - três da PF, um do Corpo de Bombeiros e três da Polícia Civil - estarão sobrevoando a cidade. Dentro da residência onde o papa estará hospedado ficarão os homens do Vaticano, da chamada guarda suíça, que também será responsável pelo sistema de comunicação dentro do carro blindado e do papamóvel em que estará João Paulo 2º.
Hospitais de referência serão mobilizados em cada lugar por onde o papa passar. O presidente Fernando Henrique cedeu seu helicóptero, com dez lugares, para a visita do papa e outros dois ficarão de reserva. Por terra, duas ambulâncias, com UTI, seguirão o pontífice. No 3º Comar ficará um comboio de 14 veículos, entre os quais dois papamóveis, também blindados.


