Cidade do Vaticano - As palavras do Papa aos cardeais dos EUA, de que não há lugar no sacerdócio ‘‘para os que possam prejudicar os jovens’’, causaram um impacto entre o clero, cada vez mais convencido da necessidade de expulsar o sacerdote que cometa abuso sexual ao primeiro flagrante.
A linha dura de ‘‘um erro e para fora’’ foi apoiada ontem pelo presidente da Conferência Episcopal dos EUA, Wilton Gregory, que informou sobre o primeiro dia da reunião entre os cardeais e a cúpula da Igreja do Vaticano com João Paulo II para buscar uma saída aos escândalos de pederastia envolcendo padres. Gregory disse que a sessão foi ‘‘muito positiva’’ e observou a necessidade de esclarecer os ‘‘critérios’’ para lidar com esses casos, ‘‘já que está em jogo a credibilidade da Igreja nos EUA e de seus bispos’’.
Gregory, que afirmou que a Igreja americana está ‘‘verdadeiramente muito preocupada’’ por estes casos, se mostrou a favor de investigar rapidamente as acusações, suspender imediatamente de suas tarefas o padre implicado, informar e cooperar com as autoridades civis, ajudar as vítimas e a seus familiares e tratar o caso com os membros da comunidade.
Gregory também se referiu à homossexualidade dentro dos seminários ao afirmar que em muitos deles existe ‘‘uma atmosfera homossexual’’.
A esse respeito, relatou que alguns jovens que pretendiam ser padres abandonaram os seminários ‘‘assustados’’ pelo clima de homossexualidade que se respirava em muitos desses centros.
O cardeal de Chicago, Francis George, revelou que João Paulo II pediu em fevereiro informação sobre os escândalos sexuais nos EUA. A respeito da aplicação da linha dura ‘‘um erro e para fora’’, o cardeal disse que se deve ver caso por caso, já que há muita diferença entre um ‘‘monstro moral’’, em referência ao pederasta reincidente, e o sacerdote que apenas uma vez e, sob os efeitos do álcool, cede às tentações de uma mulher adulta.
O Pontífice também disse que é preciso ter confiança na ‘‘conversão crist㒒.
Os cardeais negaram, no entanto, que João Paulo II defenda a volta à paróquia do sacerdote pederasta, já que ‘‘uma coisa é a conversão, que é necessária, e outra muito diferente é atribuir uma paróquia a um padre que abusou de crianças e jovens’’, disse o cardeal de Chicago.
O cardeal de Chicago disse que na reunião se falou de celibato, mas não para pedir sua abolição, mas para reforçá-lo, e observou que somente 1,5 por cento dos sacerdotes americanos são infiéis à promessa do celibato. Nesse sentido, destacou que o importante não é se o padre é homossexual ou heterossexual, mas se é capaz de manter a promessa feita e de viver o celibato com tranquilidade.

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