KORAZIM, Israel, 24 (AE-AP) - Cerca de 100 mil cristãos dirigiram- se hoje (24) de manhã, em peregrinação, para assistir à missa celebrada pelo papa João Paulo II no Monte da Beatitude, onde Jesus pronunciou o Sermão da Montanha, ao lado do Lago de Tiberíades, também conhecido como Mar da Galiléia.
O mau tempo não desanimou a multidão de fiéis, formada na maioria por jovens procedentes de todas as partes do mundo, que saudavam o pontífice com vivas, mas provocou atraso de uma hora na cerimônia religiosa. Entre o público havia alguns que agitavam a bandeira palestina, enquanto outros levavam cartazes pedindo que o papa interceda pelos cristãos no sul do Líbano.
Desta vez, o tema da mensagem papal foi diferente, deixando de lado os problemas políticos da região e a polêmica em torno da posição da Igreja em relação ao Holocausto, para exortar os crentes a resistir "à voz do mal" e a manter fidelidade à fé cristã, levando em conta as dificuldades que os jovens têm hoje para encontrar a fé e permanecer bons católicos.
João Paulo II estimulou os católicos a optar pela vida, contra a morte, pelo bem contra o mal e luz contra as trevas. Depois da cerimônia, o papa seguiu as pegadas de seu predecessor, o apóstolo Pedro, em Cafarnaum, e visitou a localidade de Tabga, onde Jesus realizou o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.
À tarde, João Paulo II reuniu-se rapidamente com o primeiro- ministro Ehud Barak e o ministro do Desenvolvimento, Shimon Peres. Segundo fontes do Vaticano, a entrevista durou apenas 15 minutos, porque as autoridades israelenses tiveram de se retirar para observar o shabat, que começa no entardecer da sexta-feira e termina no sábado. De acordo com as leis religiosas, o judeu não pode trabalhar nem viajar durante esse período.
Além de cumprir o descanso sabático, Barak evitou pôr em risco a coalizão de governo, integrada também pelo Shas, partido ultra- religioso, que ameaçou abandonar o acordo se o shabat não fosse respeitado. Barak expressou ao papa "sua admiração" pelo trabalho em favor da paz no mundo e no Oriente Médio.
O porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, destacou as palavras de reconhecimento do primeiro-ministro ao falar sobre a visita de quinta-feira ao Memorial do Holocausto, o Yad Vashem. Segundo Navarro-Valls, Barak assinalou que o pontífice é a pessoa que mais fez para criar um novo clima histórico nas relações entre judeus e cristãos.
Também ressaltou que, para Barak, a peregrinação representa o "momento culminante" das relações entre Israel e o Vaticano e considerava "profundamente e sem reservas" o perdão público pedido por João Paulo II no dia 12, pelos pecados cometidos pelos católicos contra os judeus.
Os israelenses puderam acompanhar ao vivo pela televisão a maior cerimônia cristã já realizada na Terra Santa, que foi a missa para jovens em Korazim, uma das principais referências da cristandade.

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