Papa pede perdão por pecados dos católicos12/Mar, 13:38 Cidade do Vaticano - O papa João Paulo II pediu neste domingo (12) o perdão para o povo católico pelos pecados cometidos ao longo dos séculos como o preconceito contra os judeus e a violação de direitos de grupos étnicos. A missa do Dia do Perdão, na Basílica de São Pedro, teve como enfoque a campanha do papa por um exame coletivo de consciência da igreja católica com a chegada do terceiro milênio. A homilia feita pelo papa não destacou nenhum grupo específico ou momentos históricos, mas alguns oradores, durante a missa, citaram exemplos de opressão nos quais a igreja teve participação. Dentro da basílica, cinco cardeais e dois bispos fizeram a confissão dos pecados católicos, recebendo uma réplica do papa. O cardeal Edward Cassidy, citando o tratamento que os católicos deram ao povo judeu, disse que "os cristãos reconhecem os pecados que cometidos por muitos fiéis contra o povo". "Ficamos muito arrependidos pelo comportamento daqueles que, ao longo da História, causaram o sofrimento de suas crianças e, pedindo o seu perdão, desejamos nos comprometer com a genuína fraternidade", respondeu o papa. Outras confissões foram direcionadas às minorias étnicas e raciais pelo desrespeito às suas "culturas e tradições religiosas" e às mulheres, que são "frequentemente humilhadas e marginalizadas". Aos 79 anos, o papa contou com o apoio de uma equipe para rezar a missa. Sua voz estava clara, mas suas mãos tremiam, sintoma do mal de Parkinson. "Pedimos perdão pela divisão entre os cristãos, pelo uso da violência na busca da verdade e pelas atitudes de desconfiança e hostilidade contra seguidores de outras religiões", disse o papa na homilia. Ao mesmo tempo, João Paulo II disse que estava em busca do perdão também pelos pecados cometidos contra os católicos, descrevendo sua atitude como uma tentativa de "purificar a memória" de uma história de ódio e rivalidade. Na preparação para a missa, membros do Vaticano chamaram a atenção para o fato de que o evento não seria um "espetáculo de auto-flagelação". O porta-voz do papa, Joaquín Navarro-Valls, afirmou na semana passada que o papa pediria o "perdão de Deus" e não de grupos individuais. Grupos judaicos em particular esperavam que o Dia do Perdão desse continuidade às condenações, pela igreja católica, ao tratamento dado aos judeus durante o Holocausto. Mas o Holocausto não foi mencionado. O único grupo mencionado foram os ciganos, numa confissão da hostilidade aos membros mais fracos da sociedade. Erros dos católicos em relação ao aborto, aos direitos das crianças e àqueles "que abusam das promessas da biotecnologia" também foram mencionados. "Quantas e quantas vezes os cristãos não se reconheceram na fome, na sede, na nudez, na perseguição, no encarceramento, e naqueles incapazes de defenderem a si mesmos, especialmente nos primeiros estágios da vida", disse o papa. Líderes judeus destacaram a importância da atitude do papa em pedir perdão, embora reconhecessem que prefeririam que o Holocausto tivesse sido especificamente mencionado além do papel dos líderes da igreja. "Não foram os cristãos que estabeleceram os guetos", disse o líder judeu italiano Tullia Zevi. "Não há dúvidas de que o pedido de perdão é significativo e, inclusive, um fato histórico uma vez que vem do papa em nome de todos os fiéis católicos", acrescentou o diretor do memorial Yad Vashem pelo Holocausto, Avner Shalev, que receberá o papa, ainda este mês, durante sua visita à Terra Santa. Shalev disse que espera que o papa mencione a questão do Holocausto durante a visita.