Papa nunca pensou em vender a Pietá, garante Vaticano
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sábado, 02 de fevereiro de 2002
France Presse 
Cidade do Vaticano - O projeto do Papa Paulo VI de vender em 1978 a célebre escultura Pietá, de Michelangeo, cujo valor atual é de 250 milhões de euros, para dar o dinheiro aos pobres, narrado em um livro, foi desmentido categoricamente ontem pelo Vaticano.
São informações completamente falsas, afirmou o porta-voz do Papa João Paulo II, Joaquín Navarro Valls, depois de ser informado sobre a notícia publicada ontem na primeira página do jornal italiano La Repubblica.
Segundo o jornal, Paulo VI convidou, em julho de 1978, um famoso marchand e colecionador de objetos de arte, o judeu francês Daniel Wildenstein, aos palácios apostólicos para que estudasse a possibilidade de vender a obra-prima.
A história foi contada pelo próprio marchand em um livro de memórias (Marchands darts), publicado na França depois de sua morte, em 2000. No entanto, na versão em italiano, que será publicada em breve, as páginas que mencionam o projeto de venda de diversos tesouros artísticos do Vaticano foram suprimidas por pressões da Santa Sé, segundo o jornal.
O valor comercial das diversas obras de arte que o Vaticano possui, como O Casamento da Virgem de Rafael (pelo menos 25 milhões de euros) ou o São Jerônimo de Leonardo da Vinci (100 milhões de euros), é incalculável.
A Pietá de Michelangelo, uma das obras mais sublimes do mestre toscano, realizada em mármore branco de Carrara, simboliza a dor da Virgem Maria enquanto carrega Cristo crucificado nos braços. Visitada diariamente por milhares de turistas e fiéis, a escultura foi feita pelo artista para a basílica de São Pedro, onde está instalada em uma pequena capela da ala direita e protegida por um vidro a prova de balas. Na década de 70, a obra foi atacada a marteladas por um desequilibrado de nacionalidade húngara, Laszlo Toth.
Teoricamente o Vaticano pode vender a Pietá. Ninguém tem a prelação sobre um bem da Igreja Católica, mesmo que pertença à humanidade, afirmou Andrea De Marchi, diretor da Galeria Doria Pamphili.
Para muitos especialistas, a Pietá é uma magnífica obra de arte e um símbolo religioso, e por isso sua venda parece pouco provável, mesmo que seja para ajudar os pobres do mundo.


