Papa Léguas leva a pior na Regata do Descobrimento
Papa Léguas leva a pior na Regata do Descobrimento13/Mar, 19:24 Por Julio Cruz Neto Ilha da Madeira (Portugal), 13 (AE) - No desenho animado da televisão, o Papa Léguas sempre se dá bem, levando a melhor sobre o Coiote. Mas na Regata do Descobrimento a história está sendo diferente. O veleiro Papa Léguas teve sérios problemas na primeira perna, entre Lisboa e Funchal, e teve de usar o motor, o que é proibido. Chegando à Ilha da Madeira, foi reclamar junto à organização, alegando que os adversários teriam feito o mesmo, mas sem avisar. Foi em vão. Olmar Candaten, comandante do Papa Léguas, tinha um argumento aparentemente bom: a partir do momento em que ele ligou o motor, um barco que até então estava praticamente na mesma posição que o dele não poderia ter chegado a Funchal 200 milhas (370 quilômetros) à frente. Olmar resolveu apelar para o motor pela falta de vento. E acha impossível que para os adversários (em especial o barco português Mariposa) houvesse melhores condições: "Vou fazer um protesto e pedir para lacrar os motores." Após uma longa discussão com os organizadores, ele saiu da sala abanando a cabeça, decepcionado. "Não consideramos isso um protesto", disse em seguida o Comandante Messeder, diretor da Federação Portuguesa de Vela e encarregado da organização da regata: "Tem que ser formal e ter provas." Na falta delas, ele prefere acreditar na idoneidade de dois tripulantes do Mariposa, que são conhecidos seus. Segundo Messeder, uma prova seria uma filmagem que mostrasse o Papa Léguas parado, com o mar plano (o que denota ausência de vento) e o outro barco se movendo. Mas ele próprio, num bom português de Portugal, admite que isso é inviável: "Quem mete o motor, não mete na frente dos outros." Esse tipo de reclamação, diz ele, sempre acontece quando não há vento: "O próprio Mariposa está acusando outros barcos de usarem o motor." Quanto a lacrar os motores, também está fora de cogitação, pois trata-se, na opinião do dirigente, de uma medida inútil - e quem sabe injusta: "Paga o justo pelo pecador. Um cara pode tirar o lacre, usar o motor e depois pôr de novo. E o outro pode esquecer, ligar o motor só para produzir energia e se dar mal." A única providência a ser tomada daqui para a frente, segundo ele, é o monitoramento dos concorrentes via satélite - algo que seria feito independente desse problema. Só não foi feito antes porque as antenas, que deveriam ter sido distribuídas em Lisboa, foram entregues apenas ontem. Após uma viagem cheia de transtornos até Lisboa - o barco só chegou 24 horas antes da largada -o Papa Léguas, conta o tripulante Argus Caruso, voltou a ter problemas na primeira perna. Como o mastro da vela pequena (frontal) estava quebrado, optou-se pela maior. Mas com o forte vento da primeira noite (cerca de 30 nós, ou 55 km/h), o barco tombou demais, molhando a vela, que acabou se rasgando. E o jeito foi colocar a pequena no mastro da grande. Com exceção do trimarã Bahia, que não é considerado participante da regata por ser o único multicasco, e por isso muito mais rápido, o primeiro a chegar a Funchal foi o Mariposa. Mas no tempo corrigido (para compensar as diferenças entre os barcos), o primeiro colocado é o Marujo, com 2 dias, 21h21min35, seguido pelo Alluan (2 dias, 22h26min59) e pelo Mariposa (2 dias 23h46min17) - todos portugueses. Dos brasileiros, o Viva é o quarto (3 dias, 3h28min29) e os outros dois, Papa Léguas e Corumii, não tem classificação porque usaram o motor.





