Papa João Paulo não participará das comemorações dos 500 anos
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Agência Estado 
As comemorações do quinto centenário do descobrimento do Brasil não vão mesmo contar com a participação do papa João Paulo II, que deverá mandar um representante para a ocasião.
A notícia foi confirmada oficialmente ontem em Roma pelo cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, que recebeu o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampréia, de passagem pela Itália, onde, além dos encontros na Santa Sé, também esteve com o ministro do Exterior italiano, Lamberto Dini.
O cardeal Sodano explicou que o santo padre não vai ausentar-se de Roma no ano que vem a não ser para uma possível visita a Jerusalém, sempre no contexto do Jubileu, e nós temos de compreender, declarou Lampréia, após o encontro no Vaticano, recebendo a imprensa na embaixada brasileira junto à Santa Sé.
A notícia sobre a visita do pontífice ao Brasil em razão das festividades do descobrimento havia sido divulgada durante a última assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em abril. Mas, conforme informou Lampréia, nunca houve um compromisso da parte do Vaticano nesse sentido, mesmo porque a prioridade de toda a Igreja são as comemorações do Jubileu do Ano 2000, que serão iniciadas oficialmente em dezembro.
Certamente havia um enorme desejo de todo o povo brasileiro, do clero e do próprio governo, que convidou oficialmente o papa a vir ao Brasil, e talvez, em razão desse empenho, alguém possa ter achado que estava tudo resolvido, esclareceu o ministro.
Lampreia informou que, apesar de ter sido considerada como praticamente certa a viagem do papa, ela jamais foi confirmada pelo Vaticano. Eles nunca nos induziram ao erro, ao contrário, sempre nos disseram que durante o ano santo o papa não se afastaria de Roma.
Depois de sua conversa com as autoridades vaticanas, o ministro disse que há boas possibilidades de o pontífice voltar a visitar o Brasil no ano 2001, uma vez terminado o Jubileu. Disseram-me que o papa cogita isso com muito interesse, afirmou.
Na visita ao Vaticano, Lampreia discutiu com o secretário de Estado e com o ministro do Exterior do Vaticano, monsenhor Tauran, temas de interesse comum, como a guerra no Kosovo, sobre a qual as duas diplomacias têm posições semelhantes: Brasil e Santa Sé são contrários aos bombardeios e a favor da resolução diplomática da crise, que deve, segundo eles, ser negociada pela Organização das Nações Unidas (ONU).


