Nazaré, 25 (AE-AP) - O papa João Paulo II fez hoje (25), penúltimo dia de sua viagem à Terra Santa, uma comovente visita a Nazaré, cidade onde Jesus viveu até seus 30 anos. O papa rezou pela manhã uma missa para 2 mil fiéis na Basílica da Anunciação, construída no local onde, segundo a tradição católica, o anjo Gabriel contou a Maria que ela daria à luz o Filho de Deus.
A visita do pontífice coincidiu com o dia em que a Igreja Católica comemora esse evento. "Eu ansiava voltar à cidade de Jesus, para sentir-me uma vez mais em contato com este lugar", disse o papa, que havia estado em Nazaré em 1963, quando ainda era bispo.
Desde o início da viagem, na segunda-feira, o papa vem demonstrando relativa forma física, apesar de sofrer do mal de Parkinson. Mas hoje, no fim da missa, parecia extenuado.
A visita de João Paulo II a Nazaré foi cercada por um rígido esquema de segurança, o maior montado pelas autoridades israelenses desde o início da viagem. O grande número de homens designado para o serviço de segurança desagradou aos judeus ultra-ortodoxos, que protestaram contra a profanação do shabat, o descanso religioso judaico.
A cidade, porém, merecia atenção especial. Com uma população de cerca de 70 mil habitantes, 70% dos quais muçulmanos e 30% cristãos, Nazaré viveu momentos tensos na Páscoa do ano passado com a proposta de se construir uma nova mesquita perto da Basílica da Anunciação. Os muçulmanos acreditam que nesse local foi enterrado Shihab al-Din, sobrinho do sultão Saladino, que expulsou os cruzados da Palestina oito séculos atrás.
Na época, o Vaticano acusou Israel de alimentar as tensões religiosas, ao permitir a construção da mesquita. Ela ainda não foi iniciada.
Hoje, porém, muitos muçulmanos de Nazaré foram bastante receptivos ao líder da Igreja católica, juntando-se aos cristãos para saudá-lo enquanto o papamóvel transitava pelas ruas da cidade.