Papa fala de improviso e encanta pelo bom humor
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sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O papa João Paulo 2º voltou a exibir ontem, no Rio, o carisma com que vem conquistando multidões ao redor do mundo há quase duas décadas. Bem humorado, ele falou de improviso em português, brincou e trocou frases com as pessoas que o aplaudiam no Riocentro. Quando ouviu de dom Lucas Moreira Neves, presidente da CNBB, que estão dizendo no Rio que, se Deus é brasileiro, o papa é carioca, João Paulo sorriu e respondeu: Eu entendo. Então, repetiu a frase ao microfone e completou: Em Porto Alegre, dizem que o papa é gaúcho.
Quando, ao se levantar da cadeira, perdeu o equilíbrio, provocando apreensão na platéia, ele brincou: Estou vivo. A platéia riu. Minutos depois, quando tentou acompanhar sem sucesso o canto A Benção João de Deus, ele resignou-se, sem perder o humor: Esse canto era de 1980, a primeira visita. O papa era muito mais jovem.
Segundo especialistas que acompanham as viagens de João Paulo 2º, nos últimos meses ele raramente tem falado de improviso. E só consegue ter momento de vivacidade como o de ontem diante de grandes platéias. Elas parecem reavivá-lo, criando-se um clima de confraternização.
Ao sair do centro de convenções, recusou-se a entrar imediatamente no automóvel que o esperava. Preferiu caminhar diante das pessoas que o aplaudiam, dirigindo-se a pé até o helicóptero que o esperava, a quase cem metros dali.
A mudança em João Paulo ocorreu depois que terminou a leitura do discurso de encerramento do Congresso Teológico-Pastoral, que reuniu 2.500 pessoas no Riocentro. Ele levantou-se da cadeira colocada no centro do palco e começou a falar de improviso. Interrompido a cada frase por uma platéia emocionada, no meio da qual várias pessoas chegaram a chorar, ele disse: A cidade do Rio cria uma inspiração, porque se vê continuamente essa arquitetura divina. E também se vê uma arquitetura humana. Porém, se a arquitetura divina supera, também se vê que o homem é um arquiteto, é a imagem de Deus.
Em seguida, ele voltou à questão da família, tema do encontro que estava encerrando: Essa inspiração de arquitetura é importante para a família, porque ela precisa da arquitetura humana e divina para sobreviver. Ao encerrar, ele falou bem-humorado que já havia falado o suficiente sobre arquitetura.
Pela programação oficial, nesse instante João Paulo 2º deveria retirar-se do auditório do Riocentro. Mas ele hesitou várias vezes antes de fazê-lo, entusiasmando-se com o clima receptivo e emocional da platéia.


