Paris, 23 (AE-AP) - O papa João Paulo II sofre de uma paralisia progressiva e transformou-se em um prisioneiro do próprio corpo, afirmou o arcebispo de Paris, Jean-Marie Lustiger
em entrevista publicada hoje (23) no semanário francês Jornal du Dimanche. No entanto, o cardeal declarou que as capacidades mentais do papa permanecem inalteradas.
"Sabemos que sua doença está causando a paralisia de seu corpo, mas sua mente permanece lúcida. Este homem, que foi um atleta, está se convertendo, cada vez mais, em um prisioneiro de seu próprio corpo", afirmou Lustiger. Ele também ressaltou que o papa "conserva sua força espiritual, assim como sua capacidade intelectual e sua memória, que são extraordinárias para uma pessoa que vai completar 80 anos em um mês".
O pontífice sofre de tremores nas mãos e na cabeça por causa do mal de Parkinson, uma doença neurológica. Também tem dificuldade para caminhas em consequência de uma cirurgia nos quadris realizada há seis anos.
Na cidade do Vaticano, mais de 100 mil pessoas estiveram presentes hoje na Praça de São Pedro para a missa de Páscoa do Grande Jubileu do ano 2000, celebrada pelo papa João Paulo II.
O pontífice parecia estar em boa forma, apesar dos longos ritos que celebrou até muito tarde da noite nos dias anteriores - a Via Crucis e a Vigília Pascal.
A Praça estava coberta de flores de vários tipos e cores tulipas, cerejeiras, jasmins e narcisos. O altar foi decorado com tulipas amarelas e brancas, as cores do Vaticano.
Quatro telões foram instalados na Praça para que os fiéis pudessem acompanhar a cerimônia sem dificuldades. Peregrinos de todo o mundo saudaram o Papa enquanto ele desejava feliz páscoa em 61 idiomas diferentes. Antes, ele pronunciou sua tradicional mensagem "Urbi e Orbi".
O papa expressou desejos de paz e de que as nações se oponham ao racismo e à xenofobia. "Que a Páscoa supere a dureza de nossos corações", disse o papa com uma voz que se manteve enérgica durante boa parte da cerimônia de duas horas, mas que parecia cansada ao final.
A ressurreição de Cristo, segundo o Papa, "assinala caminhos de esperança de onde podemos avançar juntos, em direção a um mundo mais justo e solidário, em que o egoísmo cego de poucos não vai prevalecer sobre os gritos de dor de muitos, reduzindo vários povos a condições degradantes de miséria." Em anos anteriores, o Papa denunciou abusos em diversas partes do mundo, mas desta vez falou em termos mais genéricos.
João Paulo orou por "uma paz justa e verdadeira" e por um "desenlace feliz" para as conversações de paz destinadas a encerrar os conflitos na áfrica, na América Latina e no Oriente Médio, ásia e até na Europa, em uma aparente alusão à guerra na Chechênia. Ele pediu que Deus guie "por um bom caminho os diálogos empreendidos por homens de boa vontade quem entre tantas dificuldades, tentam colocar um fim a conflitos preocupantes".
O papa disse esperar que a imagem do novo homem "que resplandece o rosto de Cristo, leve todos a conhecer o valor intangível da vida humana; que suscite respostas adequadas à exigência cada vez mais forte de justiça e igualdade de oportunidades em diversas em diversos âmbitos da vida social; que mova os indivíduos e os Estados ao pleno respeito dos direitos essenciais e autênticos da natureza do ser humano, acrescentou o pontífice.

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