France PressO adeusPapa despede-se do Rio, cidade que chamou de ‘‘uma das poucas do mundo verdadeiramente multirracial’’ O MD-11 da Varig que transportou João Paulo 2º de volta a Roma decolou às 19h02 de ontem da Base Aérea do Galeão (zona norte do Rio), depois de curta cerimônia em que o papa agradeceu à igreja e às autoridades brasileiras. O vice-presidente Marco Maciel, que representou o governo brasileiro, não discursou durante a cerimônia. O papa, em pronunciamento de 21 linhas, que leu com a voz muito pausada, agradeceu a seus anfitriões e afirmou: ‘‘Na minha memória ficarão para sempre gravadas as manifestações de entusiasmo e de profunda piedade deste povo generoso da terra de Santa Cruz’’.
À tarde, antes de deixar a residência do Sumaré rumo à Base Aérea do Galeão, o papa fez uma breve saudação de despedida aos cardeais, bispos e funcionários da igreja. Ele agradeceu aos membros da Comissão Organizadora da Arquidiocese do Rio e ao governo do Estado pela celebração da Jornada das Famílias.
O papa saudou ainda os bispos responsáveis pela Rede Vida de Televisão, encorajando-os a prosseguir o trabalho, que chamou de ‘‘apostolado a serviço da vida e do homem’’.
Uma pequena recepção estava montada para a despedida na pista do aeroporto. Cerca de 400 crianças, desta vez predominantemente de escolas públicas cariocas, aguardavam a chegada do helicóptero que o trouxe do 3º Comar (Comando Aéreo Regional), no centro.
Um grupo de 31 convidados - que incluía o ex-jogador de futebol Zico, o comediante Renato Aragão e a escritora Rachel de Queiroz - também se despediu do papa. Às 18h24, depois de subir com dificuldade a escada de 22 degraus que dava acesso à porta da primeira classe do avião, João Paulo 2º acenou demoradamente, enquanto as crianças, na pista, gritavam em uníssono: ‘‘Papa, eu te amo’’.
Às 18h30, as três turbinas foram ligadas e, sete minutos depois, o MD-11 já era rebocado para iniciar suas manobras na pista. Dom Eugenio Sales, cardeal-arcebispo do Rio, revelou, logo depois do embarque, que o papa havia feito uma doação em dinheiro às pessoas que participaram de sua segurança pessoal no Rio, mas que estas decidiram doar a quantia, não revelada pelo cardeal, a instituições de caridade.
Um pouco antes de sair da casa da Arquidiocese do Rio, no Sumaré (zona norte), o papa fez questão de cumprimentar os motoristas que participaram da comitiva e também tirou fotos ao lado dos batedores militares.
O cabo fuzileiro naval Eduardo dos Reis disse ter sentido ‘‘uma emoção única’’. Segundo ele, todos os cerca de 40 batedores esperaram até o fim para realizar o sonho de tirar uma foto ao lado do papa.
O papa ficou em frente à casa da arquidiocese e cerca de 30 motoristas passaram em fila e beijaram sua mão. Ao chegar ao 3º Comar, às 17h30, o papa foi levado a posar para fotografias com cerca de 25 oficiais, soldados e homens de apoio da base.
Há cerca de um mês, o FBI (a polícia federal norte-americana) concluiu um relatório no qual garantia que não havia nenhuma ameaça de atentado ao papa João Paulo 2º durante sua visita ao Brasil. O documento foi preparado a pedido de agentes federais brasileiros que conduziram investigações prévias sobre a segurança do pontífice na cidade. A revelação foi feita ontem pelo superintendente da Polícia Federal no Rio, Jairo Kullman, que esteve na Base Aérea do Galeão para participar da cerimônia de despedida de João Paulo 2º.
Apesar do documento, a Polícia Federal investigou detalhadamente todos os estrangeiros que chegaram ao País desde o início de setembro para certificar-se de que não haveria nenhum terrorista em território nacional durante a visita.
Cuba - Depois do Brasil, a próxima viagem marcada do papa é para Cuba, em 1998, e está em fase de preparação. Durante a estada do papa no Rio, estiveram também na cidade três funcionários do governo cubano, para acertar alguns detalhes da visita com alguns componentes da comitiva papal. Além de Cuba, outras quatro possíveis viagens estão sendo examinadas pelas autoridades vaticanas, mas há reserva sobre o nome dos países.
Daqui até o fim do ano, o principal compromisso do Santo Padre é com o Sínodo Especial da Américas, que acontecerá em novembro, em Roma. Pela primeira vez, será feito um sínodo pastoral sobre todos os países do continente.

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