Papa critica a maternidade e a paternidade como projeto privado
Vaticano, 27 (AE-ANSA) - A paternidade e a maternidade, se são "concebidas somente como um projeto privado, que se realiza também mediante a aplicação de técnicas biomédicas que podem prescindir do exercício da sexualidade conjugal", se opõem "a imagem de homem/mulher própria da razão natural e, em modo particular, do cristianismo", disse hoje (27) o papa João Paulo II. Ao receber no Castelo Gandolfo os participantes de um encontro promovido pelo Instituto Pontifício para os Estudos sobre o Matrimônio e a Família, que ele mesmo fundou há 18 anos, o papa disse que, desde a criação desse organismo, "a provocação dirigida pela mentalidade secular em direção a verdade sobre a pessoa, o matrimônio e a família se tornou ainda mais radical". Essa "antrologia alternativa", afirmou o pontífice, "rejeita o dado, inscrito na corporeidade, de que a diferença sexual possui um caráter identificante para a pessoa e, portanto, entra em crise com o conceito de família fundada sobre o matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher, enquanto célula natural e base da sociedade". "A conotação sexual da corporeidade é parte integrante do plano divino original", acrescentou o papa, segundo o qual "eliminar a mediação corpórea do ato conjugal significa degradar a procriação". Deste modo, pontualizou João Paulo II, a procriação em vez de ser uma "colaboração com o Deus criador", transformou-se em "uma reprodução tecnicamente controlada de um exemplar de uma espécie, perdendo, portanto, a dignidade pessoal única do filho". "Quando se trata do próprio corpo, a diferença sexual inscrita nele e nas mesmas faculdades procriativas como puros dados biológicos inferiores, sujeitos a manipulação, termina negando o limite e a vocação presentes na corporeidade e se manifesta uma vaidade que, além das intenções subjetivas, expressa uma falta de conhecimento do próprio ser como um dom proveniente de Deus"
concluiu o papa.





