Brasília, 17 (AE) - A coleta de recursos durante as missas no Domingo de Ramos - o último antes da Páscoa - será, este ano, destinada a apoiar projetos contra o desemprego. A iniciativa, inédita, foi anunciada hoje pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Damasceno, no lançamento da Campanha da Fraternidade. Entre outras sugestões da igreja para criação de emprego estão a redução da jornada de trabalho, com a manutenção do salário, redução de horas extras e a reforma agrária mais efetiva.
Na mensagem de abertura da campanha de tema "A Fraternidade e os Desempregados", divulgada hoje, o Papa João Paulo II lembrou o Jubileu do Ano 2000 - quando se comemora os 2.000 anos de nascimento de Jesus Cristo - em um mundo ainda marcado por conflitos e por "intoleráveis" desigualdades sociais e econômicas. O Papa falou da necessidade de compreender o direito ao trabalho e de os cristãos pensarem sobre o "fenômeno mundial desconcertante do desemprego e do subemprego". O Papa pediu para que sejam empregados todos os meios disponíveis para aliviar o drama da falta de ocupação. Para enfrentar o "angustiante problema do desemprego", a igreja quer partir para ações práticas e sensibilizar o governo e a sociedade a também atuarem.
Perdas - Considerando o Plano Real e o desemprego, a CNBB informou que de 1º de julho de 1994 ao final de 1996, perderam-se, no Brasil, 755.379 empregos formais. Maior perda aconteceu entre os bancários, mas também há expectativas de que o setor automobilístico venha a reduzir em 30% os postos de trabalho até o próximo ano. Os mais atingidos são os jovens - em São Paulo, entre 1989 e 1996, a taxa de desemprego entre pessoas de 15 a 19 anos de idade subiu de 18,8% para 39,8% -, os negros e as mulheres.
Para a criação de novos postos de trabalho, além da redução da jornada de trabalho e das horas extras, o incentivo à microempresas e a requalificação profissional foram sugeridas pela CNBB. De acordo com o padre Luiz Bassegio, assessor da Pastoral Social, só a redução das 267 milhões de horas-extras efetuadas em 1995 seriam suficientes para gerar mais de 300 mil empregos.
Para amenizar os efeitos da crise da falta de trabalho, a igreja também defende a definição de áreas para pequenos vendedores, os ambulantes, e o aumento da cota de importação de U$ 150 para U$ 500,00. "Por que só a classe média tem direito à cota maior nos frees shops?", questionou o padre. A CNBB também espera a punição de iniciativas desempregadoras e o auxílio maior ao desempregado.
Autoridades - À sociedade, a igreja sugere a criação de grupos comunitários para levantamento do número de desempregados
a fim de cobrar das autoridades maior atenção ao problema. Quer
ainda, o apoio social para efetivação do Projeto de Renda Mínima. O fundo a ser criado com a arrecadação do Domingo de Ramos será administrado pela igreja, mas a população terá a prestação de contas dos avanços alcançados. Até agora, o dinheiro recolhido neste dia era usado para a manutenção de toda a estrutura da igreja no Brasil. A partir de agora, segundo d. Damasceno, em toda a Campanha da Fraternidade, a coleta específica do dia será usada para ações na área social. A partir de domingo, em todas as missas serão distribuídos folhetos com a mensagem da CNBB sobre a campanha de combate ao desemprego.

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