Tel-Aviv, 21 (AE-AP) - Em um momento histórico para Israel e para o Vaticano, o papa João Paulo II desembarcou hoje (21) às 17h45 locais no Aeroporto Ben-Gurion, onde foi recebido com a tradicional saudação hebraica aos visitantes, proferida pelo presidente israelense Ezer Weizman: "Baruch habá", que literalmente significa "bendito aquele que chega".
Três crianças, uma judia, uma cristã e outra muçulmana ofereceram a bandeja contendo um punhado do solo da Terra Santa, que o papa beijou e abençoou.
Além de Weizman, o primeiro-ministro Ehud Barak e outras autoridades políticas e religiosas judias, cristãs e muçulmanas também participaram das boas-vindas ao pontífice, que em seu discurso chamou a atenção para a mudança nas relações entre o Vaticano e o Estado judeu.
"Com o estabelecimento de relações diplomáticas entre nós em 1994 abriu-se uma nova era de diálogo sobre problemas de interesse comum, como a liberdade religiosa, as relações entre Igreja Estado e entre cristãos e judeus", disse.
A abertura recíproca, na opinião do papa, exige coragem para acabar com todas as formas de preconceitos: "Temos de lutar para apresentar sempre e em todas as partes a verdadeira face dos judeus e do judaísmo, e também dos cristãos e do cristianismo", acrescentou.
Mas, ao insistir no objetivo religioso de sua visita, que considera um tributo às três religiões monoteístas, João Paulo II referiu-se novamente à complexa questão política da região: "Rezo para que minha visita contribua para incentivar o diálogo entre as religiões, o qual levará judeus, cristãos e muçulmanos a localizar nas suas respectivas crenças e na irmandade que une a todos os membros da família humana motivações para trabalhar em favor dessa paz e dessa justiça que os povos da Terra Santa não têm, mas que tanto desejam."
Falando em hebraico, Weizman descreveu o papa como "um homem de paz e um artífice da paz" e homenageou o pontífice por sua luta contra o anti-semitismo. O presidente assinalou que reconhece o papel de João Paulo II na condenação do anti-semitismo "como pecado contra o Céu e a Humanidade", assim como o "pedido de perdão pelos erros cometidos contra o povo judeu em nome da igreja católica".
Em seguida o papa seguiu de helicóptero para Jerusalém, onde foi recebido numa cerimônia da qual participou o prefeito Ehud Olmert. Em princípio, não haveria uma recepção na Cidade Santa, pois o Vaticano opunha-se à presença de Olmert, a não ser que uma personalidade palestina também estivesse presente. Houve então um acordo para que cerimônia fosse breve. Olmert apenas deu as boas- vindas e entregou um presente ao papa.
João Paulo Segundo chegou a Israel vindo da Jordânia, onde ele fez um apelo especial pela a harmonia entre as religiões e foi calorosamente recebido pela pequena comunidade cristão jordaniana, assim como por líderes políticos e muçulmanos do país.

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