Papa canoniza amanhã o fundador da congregação marista
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Por Roldão Arruda 
São Paulo, 17 (AE) - O papa João Paulo II proclama amanhã na Cidade do Vaticano a santidade de Marcelino Champagnat
o religioso francês que fundou em 1817 a congregação dos Irmãos Maristas. A missão principal da ordem, presente em 75 países, é a cristianização da sociedade, por meio do ensino.
No Brasil, onde desembarcaram há 101 anos, os maristas controlam 65 colégios e 2 universidades, que reúnem cerca de 100 mil alunos. Também pertence à congregação a editora de livros FTD - a maior do País, pelo volume de vendas, de acordo com a publicação Balanço Anual. Os irmãos ainda administram 35 obras sociais, para atendimento à população de baixa renda.
A festa de canonização de Champagnat será transmitida ao vivo para o Brasil pela Rede Vida de TV, a partir das 5 horas. Delegações formadas por professores, alunos, ex-alunos e irmãos maristas, provenientes de várias partes do mundo, já se encontram em Roma para a celebração. "O grupo brasileiro contará com quase 500 pessoas", disse em São Paulo o irmão Cláudio Girardi, encarregado de organizar a peregrinação. Para segunda-feira está previsto encontro dos maristas com o papa.
Miséria - Champagnat nasceu em Rosey, no sul da França, em 1789, o ano em que eclodiu a Revolução Francesa. Ingressou no seminário com 14 anos e após sua ordenação foi enviado para trabalhar numa comunidade rural. Segundo seus biógrafos, a miséria e o analfabetismo impressionaram o padre e, em janeiro de 1817, ele fundou a Sociedade dos Pequenos Irmãos de Maria, mais tarde conhecida como Irmãos Maristas. Quando morreu, em 1840, a ordem tinha 280 irmãos, em cinco países. Hoje são 5 mil irmãos, dos quais 535 no Brasil.
O processo de canonização de Marcelino José Bento Champagnat, nome completo do santo, durou 111 anos. Segundo as normas da Igreja Católica, ele só pôde ser elevado aos altares depois que três curas milagrosas, obtidas com sua intercessão, foram reconhecidas pelas comissões especializadas da Santa Sé.
Cura - A mais recente dessas curas foi registrada em 1976. Conta-se que o irmão Heriberto Weber, de 68 anos e pertencente à Província Marista do Uruguai, ficou doente, com câncer pulmonar. Dois meses depois, quando seu estado piorou, irmãos e alunos iniciaram uma novena para pedir a Champagnat que intercedesse na cura. "No fim da novena, o irmão teve uma súbita melhora", diz um folheto distribuído pelos maristas. "Novas radiografias mostraram que os nódulos no pulmão tinham desaparecido."
Em São Paulo, os maristas controlam desde 1908 o Colégio Arquidiocesano, hoje instalado na Vila Mariana e considerado um dos mais tradicionais da cidade, com cerca de 4 mil estudantes. Na lista de seus alunos mais famosos está o presidente Jânio Quadros (1917-1992). Também passaram por lá o deputado federal Antonio Kandir e o ator Paulo Autran. O ensino do colégio é evangelizador, sem ser proselitista, segundo seu diretor educacional, Ascânio João Sedrez. "Há uma enorma pluralidade religiosa na escola. Nem todos os professores são católicos."
O papa também irá canonizar amanhã Giovanni Calabria, padre italiano que dedicou sua vida à defesa dos pobres, e Livia Pietrantoni, religiosa assassinada por um dos enfermos que assistia num hospital.


