Pão de Açúcar não assumirá passivo fiscal do Paes Mendonça; marca desaparecerá
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 4 (AE)- O Pão de Açúcar fechou dois contratos com o Paes Mendonça. O primeiro prevê a locação por cinco anos das 25 lojas do Paes Mendonça. Esse contrato é renovável pode ser renovado por mais três períodos de cinco anos. O segundo contrato é uma opção de compra, que pode ser exercido no momento em que o Paes Mendonça puder vender seus ativos. O grupo ainda não pode vender seus ativos porque tem um passivo a descoberto elevado (patrimônio líquido negativo). Além disso, está com seus bens indisponíveis na Justiça. Segundo Abílio Diniz, presidente do Grupo Pão de Açúcar, o maior passivo do Paes Mendonça é fiscal. Ele não tem idéia do seu valor. Mas o passivo fiscal não será assumido pelo Pão de Açúcar. O Pão de Açúcar vai ficar com os débitos com fornecedores e o passivo trabalhista. As estimativas é com o débito com fornecedores seja de R$ 60 milhões. O passivo trabalhista ainda está sendo avaliado por auditores.
O que o Pão de Açúcar vai desembolsar é o volume de recursos necessário para a locação das lojas e o arrendamento mercantil dos equipamentos. Diniz espera que, com esses recursos
o grupo Paes Mendonça resolva o problema de suas dívidas e, aí sim, possa ser concluído o negócio com o exercício da opção de compra.
Marca - A marca Paes Mendonça deixará de existir. Existem seis lojas em São Paulo, uma em Belo Horizonte e 18 no Rio de Janeiro. Em São Paulo, foi feita uma distribuição preliminar e, provavelmente, duas vão passar a ter a bandeira Extra, duas com Barateiro e duas com Pão de Açúcar. No Rio, é provável que sejam fechadas de duas a três lojas. Devem ficar quatro ou cinco Extras no Rio e o restante com a marca Pão de Açúcar. Em Belo Horizonte, será utilizada a marca Extra. O empresário Abílio Diniz, destacou a importância estratégica da loja de Belo Horizonte. Ele disse também que o setor de supermercados é um segmento praticamente sem empresas nacionais e está sendo operado "por gente do ramo, com alta tecnologia e com recursos de venda". Se o Pão de Açúcar não estiver em constante expansão, o grupo ficaria em posição incômoda diante desses "gigantes". As l ojas Paes Mendonça faturaram R$ 800 milhões no ano passado. A previsão para 99 é elevar o faturamento para este ano.
Reformas - O diretor administrativo e financeiro do Pão de Açúcar, Augusto Marques da Cruz Filho, disse que a reforma das lojas do Paes Mendonça para Pão de Açúcar vai consumir investimentos de R$ 50 milhões. Este valor pode ter apoio da Bndespar. "O BNDES sempre auxiliou empresas nacionais", disse. O inventário do Paes Mendonça será fechado na segunda-feira. A partir daí, as lojas serão fechadas e, na reabertura, já terão a sua bandeira do grupo Pão de Açúcar. O grupo está negociando também o fim do contrato entre o Paes Mendonça e a GP Investimentos (ex-sócios do Banco Garantia). A assinatura do contrato ocorreu na madrugada de sábado para domingo. Ontem, foram completadas as assinaturas necessárias para fechar o negócio, que envolveram todos os irmãos Paes Mendonça. Três netos ficaram de fora. O grupo Pão de Açúcar será locatário das cinco lojas próprias do Paes Mendonça e sub-locatário das outras 20 lojas.


