Pão de Açúcar estréia E-Commerce com setor de bebidas
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quarta-feira, 05 de abril de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 6 (AE) - O E-Commerce, o pd@net, chegou agressivamente aos supermercados brasileiros. O Grupo Pão de Açúcar, por três semanas no mês de fevereiro, acomodou em uma de suas salas 397 fornecedores do setor de bebidas que sentados lado a lado, se esqueceram da ferrenha concorrência e ficaram alertas a todas às instruções ministradas pela EDS, empresa de informática. Todos tinham um mesmo objetivo: assimilar a nova tecnologia que daqui para frente será a linguagem adotada entre os dois setores.
A partir do próximo dia 15, o EDI -- Eletronic Data Interchange -- atual sistema de compras do grupo, que atende 47 9% das negociações, cede lugar a Internet no Business to Business, permitindo à toda indústria de bebidas que abastece o grupo, menor custo, maior facilidade de interação e mudança cultural em relação à segurança no tráfego de dados e informações.
No final de abril será a vez dos fornecedores de higiene e limpeza e enlatados tomarem seus lugares nos bancos e se inteirarem do assunto. A próxima etapa será com o setor de doces
biscoitos e massas, e, assim sucessivamente. "A cada 60 dias um novo grupo se integra", informa à Agência Estado, Marcio Milan, diretor de informação do grupo.
Investimentos - O lançamento do pd@net está dentro de um investimento total de R$ 82 milhões que o Grupo Pão de Açúcar fará na área de tecnologia e logística este ano. O projeto, lançado no dia 18 de janeiro, utiliza a Internet para troca de informações entre a companhia e seus forncedores. Nesta primeira empreitada exigiu desembolso de R$ 6 milhões. O faturamento do grupo está estimado em R$ 7 bilhões neste ano.
Para que o fornecedor se integre ao sistema via Internet
basta que tenha um microcomputador e um browser. "O Pão de Açúcar entra com todo o suporte e serviço de uma assessoria técnica, a EDS, especialmente para integrar os fornecedores", afirma. Segundo ele, as ferramentas estão à venda em todas as lojas do Extra e o "pagamento foi facilitado de acordo com as condições de cada fornecedor".
Esse sistema permitirá ao Grupo Pão de Açúcar e a seus fornecedores realizar, através da rede, pedidos de compra e venda, emitir e processar notas fiscais, fazer avisos de pagamento e trocar informações em tempo real sobre vendas e posição de estoques, agilizando e reduzindo custos na cadeia de fornecimento.
A meta da companhia é que até outubro deste ano todos os seus 6.000 fornecedores (mercadorias, serviços e suprimentos) estejam interligados ao sistema, com exceção dos hortifrutigranjeiros. "Ainda não temos solução para este segmento", afirma. As frutas, verduras e legumes, explica, ainda são vendidas no campo. "As alternativas ainda estão sendo estudadas", diz.
Primor - Sérgio Seixas Levy, diretor responsável pelos projetos especiais e comercialização da Primor, está apto a operar o novo sistema. "Por três semanas recebemos instruções, testamos e estamos prontos para entrar no novo processo", afirma. Ele ainda não tem os números exatos mas garante que os custos serão bem reduzidos. "A mão-de-obra no processo de compras e vendas cai pela metade", afirma.
A Primor produz groselha, vodka, conhaque, vermouth, entre outros tipos de bebidas. Na sua opinião, as vendas deverão crescer cerca de 18% neste ano e o faturamento mais 8%. "O pd@net agiliza negociação aumentando o volume de negócios", afirma. A Primor é responsável pela produção da linha de bebidas marca própria "Barateiro" para o grupo.
Ovos - Mitiko Ogata, dona da Granja que leva seu sobrenome, não se conforma de ter ficado de fora do processo. "Se a granja já tivesse sido integrada as vendas teriam crescido cerca de 30%", garante. Mitiko critica os moldes ultrapassados que opera hoje. "Com a Internet o abastecimento seria adequado. Muitas vezes deixamos de vender por falta de capacidade de cálculo do responsável. Isso tem acontecido com frequência", queixa-se.
Tempo também é valioso na vida de Mitiko. "Contratei uma pessoa só para contatar clientes e emitir pedidos", afirma. Além de ser demorado, reclama, onera os custos. "Isso sem falar nas vezes em que se esquece de contatar um ou outro comprador", conta. O Pão de Açúcar é o maior cliente da granja, em São Paulo.
Hoje a Ogata coloca no Pão de Açúcar 6 mil caixas com 360 unidades/mês. Entre as marcas Ogata e a Barateiro. A última é a marca própria da empresa, poruzida por Mitiko. A caixa é venddia ao varejo a R$ 33,00. O grupo está presente em 11 Estados e opera 349 lojas das bandeiras Pão de Açúcar e Barateiro (supermercados), Extra (hipermercados) e Eletro.


