Pão de Açúcar e Carrefour negociam lojas do Mappin-Mesbla
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 25 (AE) - As redes de hipermercados Pão de Açúcar e Carrefour estão acertando a compra ou arrendamento de 30 das 47 lojas do Grupo Mappin-Mesbla, do empresário Ricardo Mansur. A negociação está em torno de R$ 300 milhões e contará com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desde que os compradores se comprometam a manter o quadro de funcionários.
A expectativa é de que o acordo seja fechado nos próximos dias. "Já há ofertas com papel na mão", comentou hoje o presidente do BNDES, José Pio Borges.
A solução para a rede - em estágio falimentar desde a liquidação extrajudicial, em março deste ano, do Banco Crefisul, controlado por Mansur - atende os interesses do BNDES. O banco havia recusado proposta do presidente do grupo Mappin-Mesbla, José Paulo Amaral, de compor-se com outros credores para liberar um empréstimo de emergência de R$ 102 milhões.
"O que queríamos era uma solução de mercado, na qual entrássemos apenas para facilitar ou, digamos, para reduzir o perigo de distúrbio em razão do fechamento da empresa", diz Borges, referindo-se aos 9 mil funcionários e aos mais de 3 mil fornecedores do grupo.
Todas as lojas de São Paulo e praticamente todas as do Rio de Janeiro estão com venda garantida. O perfil da rede deve mudar de acordo com os interesses de cada comprador, já que não será exigida a manutenção da linha de magazines.
Caso concretizem a compra com recursos próprios, os interessados ficam livres para absorver ou não os funcionários. Mas, se utilizarem financiamento do BNDES, a condição é obrigatória. "Provavelmente, todos os empregados serão preservados", acredita Borges. "Só a loja da Praça Ramos de Azevedo, em São Paulo, tem mais de mil funcionários."
A parcela dos R$ 300 milhões a ser financiada pelo banco ainda não está decidida, mas o dinheiro terá de ser usado para pagamento dos credores e fornecedores, resgatando as debêntures que foram entregues a eles durante o processo de levantamento da concordata da Mesbla.
Na época, José Paulo Amaral, que presidiu a Mesbla na reestruturação da empresa feita pelo Banco Pactual, convenceu fornecedores e credores, inclusive mais de dez bancos, a trocar seus créditos por debêntures conversíveis em ações da empresa.
Depois da "reestruturação", a Mesbla foi comprada por Mansur e incorporada à rede Mappin. "A verdade é que este recurso não deu certo", comenta Borges.
Ele atribuiu ao descrédito provocado pela iniciativa fracassada de salvamento da Mesbla o fato de nenhum credor privado, à exceção dos bancos Bradesco e GE Capital, ter concordado em novamente socorrer o grupo. "Eles já tinham capitalizado uma vez e não deu certo", comentou. "Por isso é que a empresa estava pedindo empréstimo a fundações de estatais, ao BNDES e ao Banco do Brasil."
Mansur deve ficar com o direito de participação financeira e administrativa apenas nas lojas remanescentes, mas o BNDES está buscando compradores também para esta parcela, que representa hoje, pelas estimativas do banco, entre 20% e 30% do grupo.
O interesse do Pão de Açúcar e do Carrefour confirma a tendência de que os hipermercados passem a substituir as lojas de departamentos que durante décadas tiveram participação expressiva no mercado varejista. Segundo Borges, ainda há outros grupos estudando a compra de mais lojas da rede.
O Pão de Açúcar arrendou recentemente as lojas dos hipermercados Paes Mendonça. O Carrefour comprou supermercados que pertenciam à Lojas Americanas. Procurados pela AGÊNCIA ESTADO, Pão de Açúcar e Carrefour não se manifestaram sobre a aquisição das lojas do Mappin-Mesbla. José Paulo do Amaral, do Mappin-Mesbla, também não quis falar.


