Panissa será julgado pela quarta vez hoje
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Londrina será palco de mais um capítulo da tragédia que comoveu o País no final da década passada: hoje, às 8h30, o Tribunal do Júri local se reúne pela quarta vez para realizar o julgamento de Marcos Campinha Panissa, acusado do assassinato de sua ex-mulher, Fernanda Estruzani, em agosto de 1989. Panissa está foragido desde junho de 1995 e o julgamento acontecerá sem a presença do réu, graças à lei 11.689, de junho deste ano, relativa a crimes dolosos contra a vida. Com a nova legislação, o réu solto ou foragido é intimado sobre o dia de seu julgamento, e caso não compareça em plenário, sua ausência não pode ser usada para anular a decisão dos jurados.
O julgamento será presidido pela juíza da 1 Vara Criminal, Elisabeth Khater. Também participarão a promotora Suzane Lacerda, o assistente de acusação e advogado da família da vítima, João Maria Brandão, e a defesa, representada pelo advogado Antônio Carlos Vianna. Um esquema especial de segurança foi designado para garantir a realização do julgamento, que não tem hora para terminar.
Inicialmente, três testemunhas deveriam depor: uma delas faleceu, a segunda, a mãe de Fernanda, está ilhada em SC por conta das enchentes, e a terceira foi dispensada pela defesa. Se o julgamento ocorrer e o réu for condenado, o prazo de 20 anos para prescrição (agosto de 2009) perde a validade.
Paixão e ciúme
Em 1984, ainda adolescentes e namorados, Marcos Panissa e Fernanda Estruzani se viram personagens de uma história de amor. Eles tiveram uma filha - Joana, hoje com 23 anos - e viviam uma rotina aparentemente feliz. Mas dois anos depois o casamento ruiu e com a separação teria começado a perseguição constante do ex-marido, que terminou no assassinato de Fernanda, com 72 facadas, no dia 6 de agosto de 1989.
No domingo do crime, ele foi ao apartamento dela, no Centro de Londrina. Lá encontrou Fernanda com o novo namorado e teria feito ameaças. Depois saiu e teria voltado às 23 horas, quando ela já estaria sozinha. Segundo testemunhas, ele teria demorado apenas 15 minutos no apartamento e saído do prédio sem falar com o porteiro. O corpo da mulher só foi descoberto no dia seguinte após um telefonema anônimo do advogado de Marcos. Fernanda foi encontrada seminua, enrolada num lençol.
Aos advogados da família ele revelou, na época, que se recordava apenas de quando apanhou o facão de caça submarina e da imagem das mãos de Fernanda sujas de sangue. Cinco dias após a morte da ex-mulher, ele admitiu a autoria do crime, por meio de seu advogado. No dia 18 de agosto, a polícia determinou a exumação do corpo de Fernanda: o Instituto Médico Legal de Curitiba contou 72 facadas, uma delas na cabeça.
No dia 8 de novembro, Panissa se apresentou à Justiça depois de obter um habeas corpus para o relaxamento de sua prisão preventiva. Em outubro de 1991, ele foi a júri e o resultado foi a pena de 20 anos e seis meses de detenção, o que lhe valeu direito a recurso. Em março de 1992, no segundo julgamento, ele foi condenado a nove anos de prisão em regime fechado: defesa e acusação recorreram e o julgamento foi anulado pelo TJ. O terceiro julgamento deveria ter acontecido em junho de 1995, mas não foi realizado porque o réu não compareceu.


