Panissa é condenado a 21 anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Londrina - Setenta e dois. Este foi o número de facadas desferidas por Marcos Campinha Panissa na ex-mulher, Fernanda Estruzani, na noite de 6 de agosto de 1989. Também foi o número que o condenou a 21 anos e seis meses de prisão. A sentença foi proferida pela juíza Elisabeth Khater na noite de ontem, ao final do quarto julgamento do réu. Privilegiado pela lei 11.689, relativa a crimes dolosos contra a vida, Panissa não precisou comparecer ao Tribunal do Júri de Londrina para ser julgado pelo conselho de sentença, composto por seis mulheres e apenas um homem, escolhidos em conjunto pela promotoria e defesa.
''O que eu queria era fazer a verdadeira justiça, julgar o processo, e assim o fiz. Estou com a consciência tranquila. Se o conselho de sentença decidiu por bem condenar o réu, não fui eu que o condenei, foi o conselho'', justificou a juíza Elisabeth, que renovou o mandado de prisão preventiva contra Marcos Panissa, com cópia para a comarca de São Paulo.
Panissa está foragido desde junho de 1995 e por determinação da juíza só poderá recorrer da sentença caso se apresente à Justiça. Ele deverá cumprir a pena em regime fechado, na Penitenciária Estadual de Londrina, conforme a decisão judicial. O advogado de defesa, Antonio Carlos de Andrade Vianna, afirmou que irá recorrer da sentença, a qual considerou ''exagerada para o crime praticado''.
''Essa questão de que ele tem que ser preso para recorrer nós vamos resolver no Tribunal de Justiça. Com essa pena ele não vai se apresentar, iria se fosse uma pena razoável'', afirmou Vianna. Segundo ele, com a reforma no Código Penal, a Justiça pode decretar a prisão, mas não pode exigir que o recurso seja apreciado com a detenção do réu. ''Vou suspender isso imediatamente no Tribunal.''
Conforme o advogado, Panissa está fora de Londrina. Ele não precisou o local, mas disse manter contato esporadicamente. ''Não me interesso em saber onde meu cliente está'', completou Vianna, reforçando que a notícia da condenação seria dada pela família que, certamente, ''deve saber onde ele se encontra''. ''Em dois anos e meio ele foi julgado duas vezes, então não se pode falar em impunidade ou demora por parte da defesa. Se a demora aconteceu, foi da Justiça'', opinou.
Para a promotora da 1 Vara Criminal de Londrina, Susana Lacerda, o resultado foi o esperado pelo Ministério Público. ''A sentença foi muito bem aplicada e a pena imposta é correspondente à gravidade do crime, consequentemente, a sociedade de Londrina se vê satisfeita.''
Susana Lacerda reiterou que a próxima ação do Ministério Público será capturar Panissa. ''O objetivo é cumprir o mandado de prisão. Foi ventilado no plenário que ele está em São Paulo, inclusive legitimamos mandado de prisão no exterior, e prisão de réu foragido a gente efetiva com a participação da população'', declarou.
A juíza Elisabeth Khater concluiu: ''Se ele não se apresentou ainda, não será agora que vai se apresentar e se o advogado diz que vai recorrer da sentença, oxalá ele consiga.''


