Curitiba- Os 225 acidentes graves registrados nos últimos dez anos entre trabalhadores do setor de panificação, em Curitiba e região metropolitana, levaram representantes da categoria a realizar um protesto diferente, no centro de Curitiba. Quem passou pela Boca Maldita, na manhã e tarde de ontem, ganhou pães embrulhados em pacotes de papel que traziam mensagens de alerta sobre o problema da segurança no trabalho e a frase ''Pão Legal'', em defesa das panificadoras legalmente instaladas e contra os estabelecimentos clandestinos.
As panificadoras associadas ao Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria no Estado do Paraná (Sinpcep) distribuíram 15 mil pãezinhos, fabricados com a farinha doada pela Moinhos Anaconda. A manifestação teve apoio da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), da Secretaria de Saúde de Curitiba e da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), instituição vinculada ao Ministério do Trabalho.
A proposta do manifesto, segundo o presidente do Sinpcep, Joaquim Cancela Gonçalves, foi a de chamar a atenção da população para que só comprem produtos das panificadoras legalizadas. Segundo ele, a maioria dos acidentes está relacionada à falta de condições adequadas de trabalho e, por isso, a investida contra as panificadoras clandestinas, que usam equipamentos sucateados e não atendem as normas mínimas de segurança. Os cilindros usados por esses estabelecimentos, afirmou ele, são antigos e não têm dispositivos de segurança exigidos atualmente. Gonçalves lembrou que o prazo para a substituição dos cilindros por modelos que não apresentam risco para quem os manuseia terminou em janeiro de 2002.
O Sinpcep estima que existam na Capital e municípios vizinhos 553 panificadoras clandestinas, o que representa cerca de 55% dos estabelecimentos do ramo na Grande Curitiba. A entidade colocou o telefone de sua sede (0xx41 254-8775) à disposição para quem quiser denunciar esses estabelecimentos.

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