Pancada de chuva provoca estragos em Londrina
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011
Michelle Aligleri e<br>Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Londrina - Congestionamentos, ruas alagadas, desmoronamento de barrancos, sirenes, barro por todo lado. Este era o cenário de Londrina por volta das 18 horas de ontem. Em menos de uma hora a chuva forte transformou a cidade.
Ainda chovia quando Edna Alves Rodrigues de Souza, moradora da Rua Adriático, na Vila Brasil, na Área Central, olhou pela janela e levou um susto. Havia um sofá no meio da rua. Ela correu para a casa da vizinha e viu Lourdes da Silva, 80 anos, em cima da mesa da sala. A força da água derrubou o muro dos fundos da residência, e trouxe lixo, lama e água para dentro da casa.
Para resgatar a amiga foi necessário quebrar a porta que segurava a sujeira. ''Ela perdeu tudo que tinha. Não sobrou nada dos móveis e eletrodomésticos. Saiu daqui com a roupa do corpo e foi dormir na casa de uma sobrinha'', disse Edna.
Edna também estava preocupada com o muro do fundo do seu quintal. ''Tem muita infiltração, estou com medo de desabar também. Moro na casa da frente, acho que a pessoa da casa do fundo não vai dormir lá porque não tem condição. Moro no bairro há 16 anos e nunca tinha visto nada parecido'', lamentou.
Na Zona Leste outra família passou por uma situação parecida. O muro dos fundos desabou e destruiu parte da casa. O fogão da família podia ser visto a mais de cem metros do portão. ''Foi arrastado pela lama'', disse Simone Lucas Camilo, moradora da residência. Segundo ela, a tia e proprietária da casa, Zenita Maria Lucas, estava em estado de choque. ''Não sabemos o que fazer agora. Ela está na casa da vizinha, mas perdemos tudo'', disse.
Durante o temporal a Avenida Dez de Dezembro se transformou num rio. Em alguns pontos a água passava por cima do meio-fio. O trânsito ficou parado e apenas alguns motoristas tiveram coragem de enfrentar o alagamento. ''Nunca tinha visto a cidade neste estado, um caos. Faz meia hora que estou aqui no canto da pista com medo de passar e só vou continuar meu caminho quando não tiver mais água na pista'', declarou a professora Serrie El Kadri.
Um caminhão que tentou dar meia volta por cima do canteiro da avenida ficou atolado. Populares se uniram para ajudar o motorista a retirar o veículo do local. ''Se a chuva tivesse durado mais umas duas ou três horas não sei como teria ficado esta cidade. Aqui na avenida a situação está feia, mas deve ter bairros bem piores'', lembrou.
Na Rua Gastão Madeira, no Jardim Santos Dumont (Zona Leste), o desabamento de parte de uma casa provocou vazamento de gás e risco de explosão. Uma idosa sofreu ferimentos leves, mas não chegou a ser encaminhada para atendimento médico. O imóvel foi interditado pelos Bombeiros.
Na Rua Chile, na Vila Brasil, parte do muro da sede regional da Copel desabou, mas também não feriu ninguém. No final da Avenida Voluntários da Pátria, no Jardim Andrade (Zona Oeste), foi registrado um alagamento sem vítimas. No total, os Bombeiros receberam ao menos 15 chamadas relacionadas a alagamentos.


