Panamá celebra histórica transferência do canal
Cidade do Panamá, 13 (AE-AP) - Ao lado de uma das eclusas do canal, o Panamá celebrará amanhã (14), durante um ato antecipado
a histórica transferência da via aquática, feito que põe fim a quase um século de presença civil e militar norte-americana no local.
Nas eclusas de Miraflores e com a presença de um dos arquitetos da transferência, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, os panamenhos encenarão o ato protocolar da transferência de jurisdição do canal, o qual ocorrerá oficialmente ao meio-dia do dia 31 de dezembro.
Carter, que assinou os tratados de transferência com o então homem forte panamenho Omar Torrijos em 1977, chegou hoje ao local, da mesma forma que o rei Juan Carlos da Espanha e os presidentes da Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador e México, que foram convidados para o evento.
Para os panamenhos, é praticamente uma ofensa o fato de o presidente dos EUA, Bill Clinton, não participar da cerimônia, além do cancelamento da participação da secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright. "É uma falta de atenção diplomática para com a região", resumiu o chanceler José Miguel Alemán.
De qualquer forma, os panamenhos têm razões poderosas para não deixar que o ato perca sua importância. "Significa para todos os panamenhos o fim de uma grande luta gerencial pela soberania", disse à AP o administrador do canal Alberto Alemán Zubieta. "Teremos plena soberania sobre nosso território; teremos controle total da operação do canal".
Para a presidente do Panamá, Mireya Moscoso, "nos encherá de orgulho reiterar ao mundo a disposição dos panamenhos de chegar ao novo século em pleno exercício de nossa capacidade soberana".
Os Estados Unidos se intrometeu na vida do Panamá desde seu nascimento como república depois de sua separação da Colômbia em 1903.
Os norte-americanos obtiveram o direito de terminar a construção da via marítima, uma obra monumental iniciada pela França.
Mais de 20 mil trabalhadores, incluindo franceses, americanos
panamenhos e caribenhos, morreram durante a construção do canal
basicamente por doenças. Em agosto de 1914, os EUA finalmente inauguraram o canal, que tem 80 quilômetros de águas profundas que unem os oceanos Atlântico e Pacífico.
Os norte-americanos passaram para seu controle cerca de 147 mil hectares de território panamenho, além do próprio canal. Também criaram a chamada zona do canal, que foi vista pelos panamenhos como um enclave colonial. Em 1964, um grupo de alunos panamenhos enfrentou-se com policiais da zona ao tentar hastear sua bandeira, deixando um saldo de 20 mortos, em sua maioria estudantes.





