Cannes, 23 (AE) - A 52ª. edição do Festival de Cinema de Cannes foi marcada pela presença de grandes diretores, mas apenas Pedro Almodóvar e Manoel de Oliveira foram chamados ao palco hoje (23) à noite, durante a cerimônia de entrega da última Palma de Ouro deste século. O espanhol levou o prêmio de melhor direção pelo excelente Tudo Sobre Minha Mãe, enquanto David Lynch, Takeshi Kitano e Jim Jarmusch, entre outros, foram ignorados pelo presidente do júri, David Cronenberg. A Palma de Ouro foi surpreendentemente entregue à produção belga, Rosetta, dirigida pelos desconhecidos Luc e Jean- Pierre Dardenne.
O discurso de Pedro Almodóvar, que recebeu o prêmio das mãos de Val Kilmer, já anunciava que os grandes nomes ficariam fora da lista de agraciados. "Gostaria de dividir este prêmio com outros importantes cineastas que infelizmente não subirão ao palco esta noite, mais especificamente com David Lynch, Atom Agoyan, Arturo Ripstein e Jim Jarmusch, disse o espanhol, que demorou para iniciar seu discurso de agradecimento, tamanha a ovação da platéia que o aplaudiu de pé.
David Cronenberg acabou privilegiando outro diretor desconhecido ao anunciar o prêmio especial do júri: LHumanité, do francês Bruno Dumont. Embora LHumanité e Rosetta são sejam produções necessariamente ruins, a verdade é que não merecem tanto prestígio - principalmente quando comparadas a filmes que causaram muito mais impacto ao longo do festival, como The Straight Story, de David Lynch, e Kikujiro, de Takeshi Kitano, além do arrebatador título de Almodóvar, também ganhador do prêmio do júri ecumênico.
Mas já era de se esperar que "Todo Sobre Mi Madre" não conquistasse a Palma, levando em conta o seu tom melodramático - gênero com o qual Cronenberg parece não se identificar.
Os prêmios de atriz e ator, este último entregue por Anjelica Huston (em um deslumbrante vestido prateado), ficaram com as mesmas produções em língua francesa. Houve empate na categoria de melhor atriz, com duas vencedoras: Séverine Caneele, de LHumanité, e Emilie Dequenne, de Rosetta - sendo que Emilie encarnou uma versão em língua francesa de Gwyneth Paltrow no Oscar, chorando até soluçar em seu discurso de agradecimento. Emmanuel Schotté venceu na categoria de melhor ator pelo desempenho em LHumanité.
O português Manoel de Oliveira, que apresentou A Carta no festival, teve de se contentar com o prêmio do júri, uma distinção de menor prestígio. Moloch, co-produção entre Rússia e Alemanha, arrebatou o prêmio de melhor roteiro, recebido por Youri Arabov e Marina Koreneva.
O curta-metragem vencedor foi When The Day Breaks, das canadenses Wendy Tilby e Amanda Forbis. Esta categoria, aliás, foi responsável pela presença do único brasileiro no palco do Palácio dos Festivais: Walter Salles, que vestiu o tradicional smoking e assistiu à cerimônia sentado na bancada dos jurados de curta, ao lado de Thomas Vinterberg e de Greta Scracchi, entre outros famosos.

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