Campinas, SP, 05 (AE) - O perito Fortunato Badan Palhares prestou depoimento hoje ao promotor de Justiça de Alagoas, Luiz Vasconcelos, que reabriu as investigações sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino da Silva, em 1996. O legista, que se recupera de um pré-infarto, foi ouvido em sua casa no bairro Vila Nogueira em Campinas.
O promotor chegou à casa de Palhares por volta das 14h15, acompanhado dos delegados da Polícia Civil de Maceió Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade de Alencar. "Queremos dirimir as dúvidas", disse Vasconcelos. Um forte esquema policial foi montado em frente à casa do legista, a pedido do próprio promotor. Até as 17h30 o depoimento não havia terminado.
Em seu laudo, Palhares afirma que Suzana media 1,67 metro. Segundo o perito, ela matou PC e depois cometeu suicídio. Uma segunda perícia porém, elaborada pelo legista Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo, sustenta que a namorada do empresário media 1,57 metro. Se esta versão for confirmada, a tese de suicídio fica inválida pela trajetória da bala.
O advogado do perito, Nivaldo Doro, disse que seu cliente estava com todos os elementos para confirmar que Suzana media 1 67 metro. "Ele vai mostrar fotografias e filmes da necrópsia", disse. O cardiologista Sebastião Carbelini, que atende Palhares, acompanhou o depoimento para monitorar o paciente.
Uma das provas mais importantes, segundo Doro, era uma fotografia que a equipe de Palhares fez durante a necrópsia. Na imagem, Suzana aparece sobre uma mesa com duas réguas de medição nas laterais. A extremidade da cabeça está na marca de 1,72 metro e os pés na altura dos 5 centímetros, o que resulta em 1 67 metro.
O advogado também disse que o laudo de Munhoz é contraditório. Em determinado trecho do documento, o perito da USP diz que a medida entre a cabeça e os pés de Suzana é de 1,67 metro. Em outro trecho, porém, afirma que calculou a estatura em 1,57 metro, com base na tabela de troper e glever. A imprensa não foi autorizada a acompanhar o depoimento. O advogado de Palhares informou que seu cliente estava "bastante tranquilo".
Os peritos Antonio Francisco Bastos, Carlos Alberto Zerbetto e José Carlos Serafim também acompanharam o depoimento de Palhares, mas não deveriam ser ouvidos hoje. "Hoje queremos o depoimento apenas do doutor Badan Palhares", disse o promotor.

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