Palhares nega envolvimento com o crime
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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Clayton Levy e Evaldo Magalhães 
Campinas, SP, 03 (AE) - O legista Fortunato Badan Palhares disse hoje que está disposto a prestar depoimento à CPI do Narcotráfico caso seja convocado. Negou, porém, que tenha alguma relação com o crime organizado, seja no caso da morte de Paulo César Farias, seja no das denúncias de que o deputado maranhense José Gerardo (PPB) teria mandado matar o filho de um gerente de banco. "Não tenho idéia do que possa estar acontecendo, mas estou à disposição da CPI e da Justiça, como qualquer cidadão."
O perito considerou "um absurdo" qualquer tentativa de envolver seu nome com o crime organizado a partir da morte de PC. Quanto ao filho do gerente, Badan confirmou que foi designado para examinar uma ossada que poderia ser da criança, mas não fez a identificação.
De acordo com Badan, o garoto teria desaparecido no início de 1988. Alguns meses depois, uma ossada foi encontrada numa das praias da região e o dentista da família levantou a hipótese de que poderia ser o filho do gerente. O corpo chegou a ser sepultado, mas a família, inconformada, decidiu retomar as investigações a partir de uma nova perícia.
Badan rebateu a acusação do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), de que teria aparecido "do nada" para fazer a perícia. "Temos toda a documentação sobre o caso", disse, explicando que ele e seu colega José Eduardo Bueno Zappa, que na época atuavam no Departamento de Medicina Legal da Unicamp, foram designados pelo Ministério da Justiça para tentar esclarecer a dúvida.
Os dois peritos fizeram a exumação do corpo em São Luís, em 29 de julho de 1988. Segundo Badan, porém, o material encontrado foi insuficiente para fazer a identificação. Os legistas voltaram para Campinas com o crânio da ossada, para realizar uma sobreposição de imagens com fotografias do garoto. "Por esse exame também não foi possível identificar a ossada", contou Badan.
O caso teria sido esclarecido de forma definitiva em 1997. Segundo Badan, um teste de DNA confirmou que a ossada não pertencia ao garoto desaparecido. O teste teria sido feito em Belo Horizonte pelo perito Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, e teria indicado a inexistência de material genético compatível com amostras de sangue dos pais do garoto.
Em Belo Horizonte, a diretora do Núcleo de Genética Médica de Minas Bethania Pena, mulher de Sérgio Pena, disse hoje que o marido nunca assinou laudo sobre exame de DNA da ossada de uma criança originária do Maranhão. Penna estava fora do núcleo e não foi encontrado pela reportagem. "O Núcleo de Genética Médica nunca fez tal exame, como atestam nossos arquivos, e o doutor Sérgio Pena jamais assinou laudo sobre este caso", disse Bethania.


