Palhares diz ter provas de que Suzana media 1,67 m
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 24 (AE) - O legista Fortunato Badan Palhares, um dos responsáveis pelo laudo sobre a morte de Paulo Cesar Farias e sua namorada, Suzana Marcolino da Silva, em 1996, contestou hoje a notícia divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo", de que uma foto do casal poderia invalidar a versão oficial de assassinato seguido de suicídio. A reportagem afirma que Suzana era mais baixa que os 1,67 m alegados por Palhares. O perito apresentou pelo menos cinco elementos que, segundo ele, derrubam a versão divulgada pelo jornal.
A primeira prova de que Suzana media 1,67 m, segundo Palhares, é uma fotografia da necrópsia que sua equipe fez no corpo da namorada de PC. No retrato, que o perito apresentou aos jornalistas, mas não permitiu a divulgação, o cadáver aparece, dos pés à cabeça, sobre uma mesa milimetrada. Na imagem, os pés aparecem na altura dos 5,0 centímetros da régua e a cabeça na altura do 1,72 metro. "É só fazer a conta para constatar que Suzana media 1, 67 m", afirma Palhares.
Outra evidência de que a namorada de PC media 1,67 m, segundo o legista, pode ser constatada em mais uma fotografia apresentada pelo perito, em que Suzana e sua irmã mais velha, Ana Luiza, aprecem juntas, ao lado de um homem. Na imagem, as duas estão de salto alto e apresentam quase a mesma altura. Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", Ana Luiza disse que mede 1,67 m. Palhares não permitiu a divulgação da foto.
O legista apresentou, ainda, outras 16 fotografias em que Suzana aparece ao lado de pessoas conhecidas da família. "Estas pessoas ainda estão vivas, o que permite comparar suas alturas com a imagem de Suzana nas fotos", disse Palhares. A quarta evidência, segundo ele, está no prontuário civil que Suzana preencheu para tirar de carteira de identidade. No documento, ela declara que mede 1,67 m. "Por que ela iria mentir sobre sua altura?", observa.
Palhares também contestou um dos croquis publicados pelo jornal para demonstrar a trajetória da bala que matou Suzana. O jornal diz que havia uma distância de 79 cm entre o ponto em que a bala penetrou, na região mamária, e o solo. "Este dado está errado", garante o perito, que não quis revelar a medida correta. "Vou usar isso para contestar a informação divulgada", disse.
Segundo o perito ainda, a fotografia publicada na primeira página do jornal traz evidências de que Suzana era maior que PC, que media 1,63 m. "Ela está com a perna direita flexionada, enquanto a esquerda está em posição de descanso" disse. De acordo com o legista, esse posicionamento, além do ângulo em que a foto foi tirada, dão a impressão de que Suzana seria mais baixa que PC. "Uma perícia certamente constatará isso", afirmou.
Palhares afirmou que, até agora, não surgiu nenhum fato novo que possa modificar o laudo oficial. Ele contestou o laudo feito pelos legistas Genival Veloso de França, da Universidade Federalda Paraíba, e Daniel Munhoz, da Unbiversidade de São Paulo, a pedido da Justiça de Alagoas. No documento, os peritos afirmam que Suzana media 1, 57 m. "Eles fizeram apenas uma projeção com base na tíbia (osso da canela) e fermur (da coxa)", diz Palhares.
Apesar de contestar a versão de que Suzana teria menos de 1 67 m, o perito admite que sua equipe cometeu uma falha ao não registrar, no laudo oficial, a altura da namorada de PC. "Foi nosso único erro, mas há outras evidências sobre a altura de Suzana", disse. O laudo oficial foi assinado por 11 peritos. Nenhum deles, segundo Palhares, notou a falha no documento, que tem 600 páginas.
Abaixo, os principais trechos da entrevista com Fortunato Badan Palhares: Pergunta -Que provas o senhor possui para comprovar que Suzana media 1,67 m? Palhares-Temos uma foto mostrando a altura dela na mesa de necrópsia; fotos dela com pessoas com quem ela convivia, o que nos permite um exame de comparação; e dados que fazem parte do laudo. Temos dados suficiente para demonstrar que a notícia publicada não condiz com a realidade. Esses elementos já estão com a promotoria de Justiça. Pergunta-Não existe a possibilidade de a altura de Suzana ser diferente daquela que o senhor mediu? Palhares-Pelos elementos que colhemos, não podemos pensar de outra forma. O perito tem de se basear nos elementos colhidos, documentados e materializados. Temos esse material suficientemente esclarecido. Pergunta-O senhor mediu o corpo de Suzana durante a necrópsia? Palhares-Com certeza. Cometemos uma única falha, que foi não anotar no laudo a altura dela. Mas, em contrapartida, no próprio laudo há uma citação, de que utilizamos uma pessoa com as mesmas características de Suzana para refazer o o local do crime. Pergunta-Mesmo com uma equipe de onze peritos, essa falha não foi notada? Palhares-É um detalhe que passou batido. Confessamos que houve uma falha, mas isso não invalida o laudo. Os outros elementos constantes do laudo são muito mais expressivos. Pergunta-O senhor possui documentos capazes de provar isso? Palhares-Com certeza. Esses documentos já foram enviados ao promotor de Justiça. Pergunta-O senhor contesta a fotografia publicada pelo jornal "Folha de S.Paulo"? Palhares-Acredito que esta foto deverá passar por uma perícia, que saberá interpretá-la. Em matéria de fotos, nós as possuimos em maior número e muito mais contundentes do que esta que foi publicada. Estado-O senhor estaria disposto a participar de uma acareação com os peritos que produziram os outros laudos? Palhares-Eu mesmo pedi essa acareação. Sugerimos não só uma acareação entre os peritos que produziram os dois laudos, como também pedimos a participação de peritos de outros países, para que pudessemos, sem nenhum tipo de vaidade, esclarecer esse fato. Pergunta-O senhor faria alguma mudança no seu laudo hoje? Palhares-Nenhuma. Absolutamente nenhuma.


