Comunicação. Este ainda é o grande problema que permeia o relacionamento entre surdos e seus interlocutores. Mas, ao mesmo tempo que é necessário que a sociedade se prepare melhor para esse convívio, o surdo também precisa ''ter coragem e enfrentar seus desafios''.
Este foi o tema da palestra ''O surdo na sociedade e seus desafios'', ministrada, ontem, em Londrina, pela psicóloga Rita de Cássia Maestri, de Curitiba. A palestra foi parte do 6º Encontro da Pastoral dos Surdos da Arquidiocese de Londrina, que reuniu cerca de 70 pessoas de Porecatu, Arapongas, Apucarana, Primeiro de Maio, Ibiporã e Jataizinho, entre outras cidades da região.
Um grande estigma da falta de preparo da sociedade na comunicação com os surdos foi a prisão, em Londrina, no fim de fevereiro, do jovem surdo Alexandre de Oliveira Pontes, de 21 anos. Por falha na comunicação, a tentativa de compra de um produto foi interpretada como uma tentativa de assalto. Sem lojistas ou policiais preparados para se comunicar com uma pessoa surda, Alexandre passou 14 dias na prisão.
Para o coordenador da Pastoral dos Surdos, José Carlos Oliveira, integrante do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência, essa mesma falta de comunicação é vista nos postos de saúde, nas universidades, nos locais de trabalho. ''É muito difícil porque as pessoas não te entendem e você não consegue participar da sociedade. No trabalho, é muito difícil para o surdo entender o que o chefe quer dizer, por exemplo'', afirmou.
O grande erro, segundo ele, é as pessoas acharem que bastam alguns sinais para se fazer entender por um surdo, em vez de utilizar libras, linguagem de sinais, que permite uma comunicação contextualizada. ''Quando você usa libras, a comunicação flui'', explicou.
Irmã Luciene Rodrigues de Souza, também da Pastoral, ressalta que os surdos oralizados, aqueles que conseguem fazer leitura labial, só entendem 30% do que a outra pessoa diz. Daí a importância da libras. ''Nas aulas, quando o professor explica, se o surdo não tiver um texto para acompanhar e pela dificuldade que tem de entender palavras em português, fica só na superficialidade''.
A família, segundo a psicóloga Rita de Cássia, também tem papel fundamental no preparo do surdo. Em sua palestra, ela alertou para aquelas famílias que tratam o surdo como um ''coitadinho'', como se não fosse capaz, sem exigir que ele estude ou se prepare para o futuro. ''A família tem de cobrar mesmo. Aquele que é tratado como coitadinho vai ter muito mais dificuldade depois para trabalhar, casar, ter sua própria família'', disse.
Um bom exemplo é o jovem Thiago Correia da Silva, de 20 anos, que ''reclamava'' de tanta exigência dos pais, mas sabe de sua importância. Este ano, ele nem pode iniciar a faculdade de pedagogia pelos compromissos que já havia assumido com aulas de libras, mas, no ano que vem, ''vai fazer''.

Serviço:
Mais informações sobre curso de libras pelo telefone 3325-8431 ou 9993-3317 (para recados)

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