Milhares de palestinos reunidos ontem na grande praça de Ramallah, como em todas as localidades dos territórios palestinos da Cisjordânia e Gaza, fizeram três minutos de silêncio por ocasião da comemoração da ‘‘Nakba’’ (catástrofe), que para eles constitui a criação do Estado de Israel.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, lembrou da situação dos refugiados expulsos de seus lares quando foi criado o Estado de Israel em 15 de maio de 1948. ‘‘Não pode haver paz sem a volta dos refugiados que se encontram no exterior’’, declarou Arafat, em um discurso gravado e transmitido por rádio e tevê.
Ontem, o presidente da Autoridade palestina viajou a Sharm el-Sheik, no Egito, para um encontro com o presidente Hosni Mubarak. Do lado israelense, as forças de ordem encontravam-se em estado de alerta reforçado pela comemoração do Nakba. ‘‘O objetivo desta mobilização sem precedentes é reduzir ao mínimo os atritos com os palestinos’’, afirmou o ministro israelense da Defesa, Binyamin Ben Eliezer.
O vice-ministro israelense da Segurança Interna, Gidon Ezra, denunciou por sua parte a decisão da Autoridade Palestina de decretar uma greve nas escolas, ‘‘o que vai colocar nas ruas milhares de escolares, com todos os perigos que isso implica’’.
Ontem um dos guarda-costas do chefe espiritual do Movimento da Resistência Islâmica (Hamas), o xeque Ahmed Yassin, morreu em Gaza durante um ataque israelense, segundo fontes do Hamas e dos serviços de segurança palestinos. Abdel Hakim al-Manama morreu e outro guarda-costas ficou gravemente ferido em um ataque contra o automóvel no qual viajavam nas imediações do território isralense.
‘‘É muito provável que esta jornada sirva de novo detonador da violência. Os palestinos farão todo o possível para atiçar o fogo’’, afirmou um oficial superior israelense durante um encontro com a imprensa estrangeira.
Em um primeiro incidente pela manhã, oito palestinos ficaram feridos em violentos enfrentamentos com o exército no setor da colônia de Netzarim, no Sul da Faixa de Gaza. Também foram registrados choques em Hebron, no Sul da Cisjordânia, onde dois palestinos ficaram feridos.
A comemoração da Nakba acontece quando a tensão não cessa de aumentar nos últimos dias com a morte de sete palestinos, cinco deles policiais, na madrugada de segunda-feira, durante uma das operações mais violentas empreeendidas por Israel desde o começo da Intifada, no final de setembro passado.
O Hamas afirmou que um dos palestinos mortos na Faixa de Gaza era um de seus membros, Arafat Talal Abou Koueyk, e que o mesmo morreu quando lançava uma granada contra soldados israelenses. (France Presse)

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