Gaza, 03 (AE-AP) - Tudo estava previsto para ser o grande dia da independência palestina, mas nenhuma cerimônia foi programada e Yasser Arafat nem está na cidade.
A Autoridade Palestina adotou uma aproximação sem estardalhaço do dia 4 de maio, a data antes considerada "sagrada" e uma marca para o fim dos cinco anos de autonomia.
Alguns dos seguidores de Arafat ficaram desapontados com o fato de o líder palestino, sob pressão de líderes mundiais e ameaças israelenses, ter desistido, na semana passada, de declarar o Estado palestino amanhã sem esperar por um acordo definitivo de paz com Israel.
"Nós já adiamos a declaração uma vez no passado, uma coisa que sonhamos desde a infância, e o mundo mais uma vez sabotou esse sonho", afirmou Islam Abdel Karim, um estudante de engenharia de 25 da Universidade de Gaza.
Para demonstrar sua insatisfação com o adiamento, líderes palestinos planejaram para amanhã várias manifestações.
A Frente Democrática para a Libertação da Palestina, uma pequena facção radical da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), informou a realização de um protesto em frente ao Parlamento, na Cidade de Gaza, para pressionar pela declaração imediata do Estado.
Em Jerusalém, o deputado israelense de linha dura Benny Elon afirmou que vai liderar uma "celebração" próxima à Casa Oriente - a sede da OLP no lado árabe da cidade - para marcar o fim do acordo de autonomia e o fracaso dos palestinos em declarar unilateralmente seu Estado.
Em resposta à provocação israelense, funcionários da Casa Oriente informaram que realizarão uma outra demostração, contando com a presença de diplomatas estrangeiros, uma iniciativa que, segundo a polícia de Israel, será evitada.
Na semana passada, a liderança palestina tomou a decisão de adiar a declaração do Estado para junho, em parte para evitar que o primeiro-ministro-israelense, Benjamin Netanyahu, tomasse proveito eleitoral da situação.
Autoridades palestinas afirmaram que eles vão trabalhar agora na preparação da declaração desenvolvendo sua Carta Magna, uma moeda nacional e unidades de representação no exterior.
Mas muitos palestinos começam a se sentir frustrados. Depois de mais de 30 anos de ocupação israelense, e cinco anos de autonomia que não trouxe os benefícios econômicos prometidos, eles afirmam ter esperado o suficiente pela independência.
"Para amanhã, eu estava planejando colocar uma bandeira em frente à minha loja para celebrar, mas eu acho que nossos inimigos irão celebrar nossa incapacidade de declarar nosso Estado", disse Hamad Saed.
Arafat passará o dia 4 de maio na Holanda, antes de viajar à Argélia, onde, há onze anos, ele prometeu pela primeira vez declarar um Estado palestino.

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