Palestinos apedrejam Jospin na Cisjordânia
RAMALLAH, Cisjordânia, 26 (AE-AP) O primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, foi atacado a pedradas hoje (26) por cerca de dois mil estudantes e ativistas palestinos quando saía do edifício da Universidade Bir-Zeit, em Ramallah, no território cisjordaniano administrado pela Autoridade Palestina (AP).
Jospin não se feriu, mas teve de ser escoltado por um forte esquema de segurança até o Mercedes que o transportava. Na confusão, um fotógrafo espanhol teve a perna quebrada.
Os manifestantes estavam furiosos por Jospin ter qualificado repetidamente de "atos terroristas" os ataques do grupo guerrilheiro libanês Hezbollah contra as tropas israelenses que ocupam uma faixa no sul do Líbano.
Ele fez a declaração na quinta-feira, durante visita a Jerusalém, parte do giro oficial por Israel. Diante da reação irada das autoridades libanesas e de vários líderes do mundo árabe, Jospin voltou ao assunto ontem, numa evidente tentativa de pôr panos quentes, chegando a dizer: "Não me parece que aquelas foram exatamente as palavras que usei".
Ele referiu-se, então, genericamente, aos "atos de guerra" no Líbano, sem nenhuma menção ao Hezbollah ou a ações terroristas.
Os estudantes xingavam de "terrorista" o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak com quem o líder francês se encontrou ontem e gritavam que Jospin era cúmplice desse. Alguns jovens chegaram a saltar sobre o automóvel antes de o motorista dar a partida. A polícia prendeu cerca de 15 manifesantes e a universidade permanecerá fechada até terça-feira.
O primeiro-ministro cancelou a visita que faria a um campo de refugiados na Faixa de Gaza, região também sob controle da AP, e uma entrevista coletiva à imprensa.. "Em situações como aquela, você simplesmente tem de lidar om as coisas e aceitá-las calmamente, e dizer o que tem de dizer", chegou a afirmar antes de anunciar a mudança de planos.
O presidente da AP, Yasser Arafat, ordenou uma investigação sobre as circunstâncias do ataque , depois de reunir-se por uma hora com Jospin, pediu-lhe desculpas pela agressão, em seu nome e "em nome do povo palestino".
"Medidas urgentes serão tomadas contra aqueles envolvidos direta e indiretamente ", disse o alto funcionário palestino Mohammad Dahlan. Outra autoridade local informou que os manifestantes integram o movimento islâmico.
As declarações de Jospin causaram surpresa porque contrariam a linha tradicional da política francesa para o Oriente Médio. A França tem criticado e deplorado regularmente os bombardeios israelenses contra o Líbano.





