Palavras duras de Pequim abalam bolsa taiwanesa16/Mar, 18:43 Taipé, 16 (AE-AP) - Os taiwaneses viram hoje (16) nas primeiras páginas dos jornais a foto de um líder chinês com expressão dura, apontando o dedo e ameaçando atacar esta ilha, e muitos reagiram vendendo suas ações antes das eleições de sábado. O pânico parece ter sido o objetivo do primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, que levantando a voz advertiu Taiwan na quarta-feira que a eleição de um presidente pró-independência poderia significar a guerra. A dura declaração de Zhu, que ele pontuou com o dedo indicador, foi reprisada durante todo o dia nas tevês de Taiwan e exaustivamente comentada em jornais. Analistas disseram que a advertência e os gestos poderiam ter um efeito contrário, fazendo com que eleitores passassem a apoiar o candidato menos preferido por Pequim: Chen Shui-bian, do Partido Democrata Progressista. Apesar de Zhu não mencionar nenhum candidato, suas declarações foram claramente dirigidas a Chen e seu partido, que acreditam que Taiwan deveria se separar definitivamente da China. Depois de rumores mais tarde desmentidos de que a China estaria realizando manobras militares, que causaram a segunda queda da Bolsa de Taiwan nesta semana, o ministro da Defesa taiwanês, Tang Fei, declarou que não havia motivo para as Forças Armadas aumentarem seu nível de alerta. Tang acrescentou que o caso de Taiwan é uma questão histórica que deveria ser resolvida por meios políticos e exortou o governo chinês a ser razoável e moderado. A Bolsa de Taiwan, que havia aberto o pregão de hoje com uma perda de 389 pontos, quase 4,5%, fechou com uma alta de 42,73 pontos, graças à multimilionária intervenção de fundos oficiais e às declarações tranquilizadoras do Ministério da Defesa. Cinco dos 22,5 milhões de taiwaneses investem no mercado de valores, por isso sua estabilidade influi poderosamente nos 15,5 milhões de eleitores. A ameaçadora reação do primeiro-ministro chinês deve-se sobretudo ao repentino aumento de popularidade do candidato de oposição, Chen Shui-bian. Sua ligeira liderança nas pesquisas de opinião surpreenderam o governo chinês que se reuniu com a cúpula do Politburo e peritos civis e militares na questão de Taiwan para formular uma dura mensagem para o próximo presidente da ilha. O grupo já teria preparado reações para uma possível vitória do candidato do governista Partido Nacionalista, Lien Chan, assim como para o independente James Soong, mas não esperava um avanço de Chen Shui-bian, que está virtualmente empatado com os dois. Ignorando o pedido da China para que os Estados Unidos se mantenham longe do assunto, o secretário americano de Defesa, William Cohen, disse hoje, durante sua visita ao Japão, que Pequim deveria deixar de provocar Taipé e a ilha, por sua vez, não deveria promover a independência. O pedido de moderação do chefe do Pentágono foi respaldado pelo ministro da Defesa japonês, Tsutomu Kawara. Acirrando ainda mais as tensões entre China e Taiwan um grupo de acadêmicos chineses declarou hoje que Pequim poderia dar um prazo de apenas 24 horas para Taipé sentar-se à mesa de negociações no caso de vitória do candidato da oposição. Os peritos, membros do Instituto de Estudos de Taiwan da Academia de Ciências Sociais chinesa, apoiaram, em uma entrevista coletiva, as ameaças de guerra lançadas por Pequim nas últimas semanas caso Taiwan der algum passo em direção à independência. Apesar de o governo chinês não ter estabelecido um calendário de negociação sobre a reunificação com Taiwan, deixou claro em fevereiro que não esperará indefinidamente que a ilha tome uma decisão. Meios de comunicação chineses informaram hoje que o Politburo do Partido Comunista convocou uma reunião extraordinária que provavelmente será realizada no sábado, depois que começarem a ser anunciados os resultados das eleições, para decidir qual atitude tomar com relação a Taiwan.

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