NUTRIÇÃO

Uma pessoa pode sofrer de excesso de vitaminas?
Uma pessoa pode sofrer de hipervitaminose, isto é, do excesso de certas vitaminas quando ingere suplementos multivitamínicos ou, em casos muito raros, pela ingestão de alimentos ricos em determinada vitamina. A hipervitaminose pode apresentar efeitos tóxicos no organismo.
O excesso de vitamina A, por exemplo, pode causar náuseas, vômitos, fadigas, dor e fragilidade óssea, pele seca e com fissuras, perda de cabelo, irritabilidade, anormalidades no fígado e hipertensão, entre outros. Mas é bom lembrar que a ausência desta vitamina pode provocar cegueira noturna, alterações nas mucosas e na pele.
Outro exemplo: o excesso de Vitamina C, cuja deficiência causa escorbuto, pode provocar formação de cálculos.
A hipervitaminose D, por sua vez, pode resultar em hipercalcemia (calcificação óssea e de partes moles, como o rim), dor de cabeça e náusea. Mas a falta dela acarreta raquitismo. No caso da B6, a ingestão prolongada de doses elevadas pode levar a ataxia (falha na coordenação muscular) e grave comprometimento dos sentidos.
No entanto, há determinadas vitaminas que são inofensivas, isto é, não apresentam efeitos tóxicos quando ingeridas em excesso. É o caso da vitamina E, B1 e B9.
Prisila Barsanti de Paula, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein

NEFROLOGIA

A diabete pode afetar os rins? Como isso ocorre?
A alteração da função do rim resultante da diabete, chamada de nefropatia diabética, é uma causa importante de doença renal crônica no mundo ocidental. O mal pode ser causado pela falta do controle adequado da glicose sanguínea (hiperglicemia) e pela elevação da pressão arterial (hipertensão). O tratamento precoce da diabete, com o controle dos níveis da glicose sanguínea, através de dieta e medicamentos apropriados, reverte as anormalidades iniciais da estrutura dos rins. Similarmente, o controle rígido da pressão arterial retarda a progressão da doença. O acompanhamento médico desde o início da ocorrência da diabete é a chave para a prevenção da doença.
A hemodiálise e a diálise peritonial, também chamadas de terapias substitutivas da função renal, constituem modalidades artificiais que objetivam a retirada do excesso de líquido e de substâncias nocivas acumuladas no organismo, pela falta de funcionamento adequado dos rins. Os procedimentos se fazem necessários na fase avançada de qualquer doença renal, incluindo a nefropatia diabética. O transplante renal também pode ser uma opção.
Marcelo Costa Batista, nefrologista do Hospital Israelita Albert Einstein e professor da Unifesp

PSIQUIATRIA

Só a depressão pode provocar idéias suicidas?
Pessoas que cogitam suicídio frequentemente apresentam quadro de doenças psiquiátricas, mas nem sempre é possível reunir as evidências que permitam um diagnóstico adequado. Nos casos em que o diagnóstico mais preciso pode ser proposto, a depressão aparece com grande frequência (estudos relacionam de 30% até mais de 60% dos casos a quadros depressivos).
Outros diagnósticos incluem abuso ou dependência de álcool e outras drogas, transtornos de personalidade, psicoses (como a esquizofrenia) e quadros ansiosos (como a síndrome do pânico). A coexistência de mais de um desse elementos é relativamente comum.
Parece existir uma diferença entre as vítimas de suicídio em função da idade: em indivíduos com menos de 30 anos, fatores desencadeantes são mais relacionados à separação, rejeição, desemprego e problemas legais. Em pessoas com mais de 30 anos, é mais comum a associação com sofrimento decorrente de doenças físicas.
É fundamental conversar com que apresenta idéias suicidas, oferecer apoio e ajudá-lo a encontrar um bom profissional. Antidepressivos podem ser extremamente úteis. Psicoterapia, também.

Sérgio Nicastri, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein

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