PALAVRA DE ESPECIALISTA
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de junho de 2009
Por Silvana Chedid* 
O modo com que as adolescentes conversam sobre sexualidade na escola, na família, e absorvem informação adequada sobre todos os riscos envolvidos, é fundamental para determinar a saúde reprodutiva no futuro. Um bom número de mulheres enfrenta problemas para engravidar por conta de descuidos cometidos na adolescência que podiam ter sido evitados.
Jovens que não têm acesso a informação adequada sobre métodos anticoncepcionais e formas de evitar infecções causadas por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) enfrentam mais problemas para engravidar e uma das principais sequelas dessas doenças é o entupimento das trompas.
Em geral, o jovem ainda não se dá conta de que sua conduta sexual enquanto está namorando ou 'ficando' com alguém pode comprometer seus relacionamentos na fase adulta e, inclusive, dificultar a formação de uma família. Por mais que as novas tecnologias facilitem o acesso a todo tipo de informação, os adolescentes se interessam muito pouco ainda sobre prevenção das DSTs. Infelizmente, os descuidos ainda são muito comuns.
Com relação às meninas, a doença que mais desencadeia infecção pélvica e alteração tubária é a clamídia (Chlamydia). Como em 75% dos casos a doença só se manifesta através de um discreto corrimento, muitas garotas sequer se importam com o fato ou buscam ajuda especializada.
Apesar de haver muitos fatores que podem comprometer a saúde reprodutiva e resultar em dificuldade para engravidar na fase adulta, se as jovens levassem mais a sério a necessidade de usar preservativos em toda relação sexual, os índices de DSTs cairiam bastante.
Ainda na pré-adolescência, as mães devem levar suas filhas a uma ginecologista de sua confiança para entenderem todo processo de transformação do corpo e, inclusive, esclarecer como as garotas podem contribuir para a preservação da saúde.
(*) Silvana Chedid é médica ginecologista, especialista em reprodução humana e autora do livro ''Infertilidade'' (Contexto Editora)


