Esses dias, ouvindo os questionamentos de duas pessoas que conversavam sobre depressão, pude perceber o quanto existe de dúvidas a respeito do tema. Quando se trata de depressão infantil então, a falta de informação é ainda maior porque faz pouco mais de duas décadas que a doença se tornou conhecida. É preciso estar sempre observando as crianças, seus comportamentos, sua tristeza.
É normal a tristeza aparecer de vez em quando como parte natural do desenvolvimento infantil, é uma reação de resposta a algumas situações da vida como perdas, distância dos amigos, pais, mudança repentina. Entretanto, quando a criança demonstra apatia, isolamento, distúrbios escolares, alimentares e de sono, desinteresse pelas coisas e quando a tristeza é profunda, dura muito tempo ou ocorre frequentemente, pode ser sinal de depressão clínica.
A depressão na infância existe, porém demora a ser diagnosticada. As causas podem ser genética, bioquímica, bem como uma série de outros fatores. É importante ressaltar que existem dois tipos de quadro depressivo. Há a depressão exógena ou reativa que é a resposta ou reação que a criança apresenta frente a algum acontecimento da vida como morte de alguém que lhe é significativo, divórcio dos pais e estresse. A outra é a depressão endógena que se manifesta sem causa aparente e pode estar ligada à pré-disposição familiar.
Os sintomas mais frequentes da depressão das crianças em idade escolar são: alteração de peso (ganho ou perda), queixas de dores físicas, baixa auto-estima, preocupação excessiva, mudanças do sono, tristeza, hostilidade ou agressão gratuita, relutância em frequentar a escola, queda nas notas, pouco interesse em brincar com outras crianças, idéia ou tentativa de fuga, pensamentos mórbidos ou suicidas. (Fonte: David Fassler)
Por ser uma doença que não é possível perceber os sintomas facilmente, diferente de uma fratura, por exemplo, é difícil compreender o que a criança está sentindo. Como psicóloga, percebo que a depressão mostra que algo não está bem e é preciso procurar as causas, sejam físicas, emocionais, ambientais ou várias. Também é necessário o apoio e o afeto da família, dos amigos da escola. Só enxergando e compreendendo o problema pode-se ser assertivo na busca pela solução.

Elsie Silva, é psicóloga em Londrina

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