A culpa é um atributo que um grupo aplica a um indivíduo, ao avaliar os seus atos, quando esses resultaram em prejuízo a outros. É uma emoção de atos recorrentes. Indica que fizemos algo considerado impróprio, e ainda continuamos a fazer. Como se estivesse ‘‘martelando na mente’’, o pensamento persiste e transborda para a emoção. Embora não pareça, é um sentimento negativo, que pode deixar a pessoa vulnerável aos pensamentos de raiva de si mesmo, o que pode gerar autopunição e desequilíbrio emocional.
  O perigo é que, muitas vezes, a pessoa que não faz o que gostaria de fazer, ou tem dificuldade em dizer não, se transforma em alvo fácil para sentimento de culpa. Ele aparece porque o arrependimento de ter feito algo contrário a sua vontade toma conta. Ao contrário, quando fazemos algo errado e temos a certeza de que, em hipótese alguma cometeremos o mesmo erro, o sentimento é de amor e de reconhecimento. ‘‘Errei, mas não erro mais’’. Podemos até falar com certo orgulho, não do erro, mas da nova percepção do mundo e do quanto aprendemos.
  Sem o sentido de culpa jamais haveria crescimento. Um psicopata, por exemplo, não tem culpa, mata e acredita que é certo, não tem consciência do certo e do errado. A culpa denota que a pessoa tem ciência do que fez, apenas não está querendo mudar, e prefere se martirizar a abrir mão de algo. Dentre várias indagações que devemos fazer diante do sentimento de culpa estão: ‘‘onde estou errando’’? ‘‘O que posso fazer de diferente?’’
  A culpa nos deixa estagnados no passado, roubando energia para a execução do presente. A raiva nos remete para a ação, às vezes impulsiva, podendo acarretar arrependimento e conseqüentemente culpa. É importante reviver passo a passo do fato que causa culpa, para resgatar a potência da energia da ação e redirecioná-la.
(*) Maura de Albanesi é psicoterapeuta, pós-graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP) e mestranda em Psicologia e Religião pela PUC.

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