Caracas, 24 (AE-REUTERS) - Como uma verdadeira tenda dos milagres, o palácio do governo da Venezuela foi cenário hoje (24) de uma peregrinação de desempregados, enfermos e sem-teto, que carregam a esperança de que o novo presidente Hugo Chávez possa resolver seus problemas.
Desde as primeiras horas do dia, quando os "pedidos" começaram a ser recebidos, cerca de 200 pessoas já haviam sido registradas, disse à Reuters um dos quatro funcionários que ao meio- dia haviam atendido um rosário de idodos desamparados, inválidos, mendigos, mães solteiras, desempregados, ex-prisioneiros e esperançosos pequenos empresários que queriam um pequeno capital para alavancar seus projetos.
O presidente Chávez anunciou na segunda-feira um plano cívico-militar para atender a emergência social que ele diz ter encontrado no país.
De imediato, mais de 2.000 pessoas, em sua maioria desempregados, se aglomeraram nas dependências do edifício da guarda presidencial para oferecer-se como voluntários ou trabalhar "ainda que pela comida" neste plano que também prevê levar para as ruas 70.000 soldados e cerca de 80.000 burocratas para cumprir tarefas de saúde, educação e construção de infra-estrutura.
A necessidade de assistência social, em um país onde o sistema judicial tem a reputação de estar paralisado, era um dos dramas mais recorrentes hoje entre esse rebanho de venezuelanos anônimos.
Pessoas provenientes de todo o país faziam fila em frente ao palácio do governo até serem dirigidas a uma dependência militar, onde oficiais anotavam seus dados ou recebiam pedidos.
"É a primeira vez que isso acontece, que nos deixam entrar no palácio para contarmos nossos problemas", disse Gladys Pérez, uma envelhecida mulher de 36 anos com síndrome de insuficiência cardíaca e quatro filhos que dependem de seu salário mínimo.

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