Pajés pedem a presidente ações contra biopirataria
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de maio de 2000
Agência Estado De Brasília 
Um grupo de 21 pajés de 15 tribos indígenas protocolou ontem, no Palácio do Planalto, uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Na carta os índios manifestam sua preocupação com a biopirataria, reclamando uma legislação que proteja a medicina natural, preservando os conhecimentos deles nesse setor contra estrangeiros que chegam ao País, levam as informações e registram como propriedade intelectual. Também manifestam sua preocupação com o projeto de conversão do deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) à medida provisória que altera o texto do Código Florestal (ver texto ao lado).
Queremos que o sr. transmita a todos os brasileiros nossa preocupação com os políticos que foram eleitos e estão fazendo leis para matar as florestas, afirmam as lideranças no documento. Esses homens brancos devem parar com estas loucuras e o homem branco do Brasil nunca mais deve votar neles, pois são homens que querem matar o futuro de seus filhos e o futuro de nosso País. Eles pedem, também, a liberação de dinheiro para assistência médica nas aldeias indígenas.
O documento que, conforme tradição indígena, não é assinado mas contém apenas impressões digitais, foi tirado ao término de um encontro de pajés na Universidade de Brasília. O funcionário da Fundação Nacional do Índio, Marcos Terena, disse que as lideranças não quiseram audiência com o presidente. Para receber o documento, funcionários do Palácio do Planalto colocaram uma mesa na parte externa do prédio. Os pajés, líderes espirituais, fizeram um ritual simbolizando a abertura de entendimento ao entregar o documento.


