Um grupo de 21 pajés de 15 tribos indígenas protocolou ontem, no Palácio do Planalto, uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Na carta os índios manifestam sua preocupação com a biopirataria, reclamando uma legislação que proteja a medicina natural, preservando os conhecimentos deles nesse setor contra estrangeiros que chegam ao País, levam as informações e registram como propriedade intelectual. Também manifestam sua preocupação com o projeto de conversão do deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) à medida provisória que altera o texto do Código Florestal (ver texto ao lado).
‘‘Queremos que o sr. transmita a todos os brasileiros nossa preocupação com os políticos que foram eleitos e estão fazendo leis para matar as florestas’’, afirmam as lideranças no documento. ‘‘Esses homens brancos devem parar com estas loucuras e o homem branco do Brasil nunca mais deve votar neles, pois são homens que querem matar o futuro de seus filhos e o futuro de nosso País’’. Eles pedem, também, a liberação de dinheiro para assistência médica nas aldeias indígenas.
O documento que, conforme tradição indígena, não é assinado mas contém apenas impressões digitais, foi tirado ao término de um encontro de pajés na Universidade de Brasília. O funcionário da Fundação Nacional do Índio, Marcos Terena, disse que as lideranças não quiseram audiência com o presidente. Para receber o documento, funcionários do Palácio do Planalto colocaram uma mesa na parte externa do prédio. Os pajés, líderes espirituais, fizeram um ritual simbolizando a abertura de entendimento ao entregar o documento.

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