Entre strip-teases e programas, o submundo da noite rendia quase R$ 1 mil por semana a Palhinha. ‘‘Gastava tudo em drogas, roupas e mulheres’’, admite. Ainda insatisfeito com o rendimento, soube que poderia ganhar mais em São Paulo. Era o início de 1996 e de uma nova virada: ‘‘Uma cliente se apaixonou por mim e me arrumou um emprego decente, como auxiliar de um escritório de advocacia’’.
Aos poucos, o ex-soldado readquiriu sua auto-estima e voltou a sonhar com a carreira de advogado. ‘‘Eu ia fazer o vestibular para Direito, mas desisti porque seria difícil conciliar com o serviço militar’’, justifica. Mais algum tempo se passou e foi a vez de Palhinha se apaixonar - por uma paranaense. ‘‘Eu paquerei uma microempresária do setor de confecção em um bar paulistano, ela gostou de mim e passamos a namorar’’.
Não demorou muito para que a namorada trouxesse Palhinha para o Paraná, o que aconteceu há um ano. ‘‘Ela conhece a minha história e é uma das pessoas que mais me dão força’’, reconhece. Radicado na Região Metropolitana de Curitiba, o ex-soldado passou a atuar no ramo de turismo. A agência onde trabalhou até o promoveu com um cargo em Florianópolis (SC), mas a necessidade de assinar a carteira de trabalho minou o emprego.
Desempregado, Palhinha alimenta a esperança de um dia resolver sua pendenga com o Exército. ‘‘Sei que agi errado, mas o sargento me instigou a agredi-lo’’, ressalva. Ele teme morrer no quartel caso se apresente para responder ao processo por deserção. ‘‘Lá é tudo fechado, um outro país. Eles vão acabar comigo, cara’’, amedronta-se diante do repórter da Folha, que negociou três semanas para obter seu depoimento.
Nos três anos e meio como desertor, Palhinha fez duas visitas-surpresa à família. Numa delas, encontrou uma antiga namorada e a engravidou. ‘‘É triste não ver meu filho, que está com um ano e oito meses. Pelo menos sei que sua mãe cuida bem dele’’, consola-se o jovem que nunca quis ser militar, a despeito de uma tradição de muitos de seus parentes.(D.J.)

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